16/11/2011 - 08h53
Microempresa deve começar já a planejar 2012
A+
A-
Altera o tamanho da letra
O final do ano está chegando e é hora do micro e pequeno empreendedor olhar para o futuro. O que quer para a sua empresa em 2012? Aonde quer chegar? Quer investir? Quer readequar as finanças, contratar mais funcionários, abrir uma filial? Tudo isso pode ser pensado desde já por meio do planejamento financeiro da empresa para o próximo ano.
O planejamento financeiro, que é utilizado como guia de investimentos e metas para as grandes companhias, também pode ser adaptado em menores proporções para empresas de pequeno porte. Uma loja de roupa que quer vender uma nova marca, um pequeno comerciante que precisa trocar o carro da empresa, um ateliê com necessidade de atrair mais clientes e comprar mais equipamentos, por exemplo. Tudo isso pode estar nesse plano que será montado para nortear o empreendimento, de acordo com os especialistas.
"O planejamento nunca acaba, tem de ser de forma contÃnua. É imprescindÃvel para quem está começando e necessário para quem está com o negócio em operação", afirma Luis Lobrigatti, consultor do Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP).
Fazer um plano para as finanças ajuda o empreendedor não só a conhecer melhor o caixa, custos e gastos do negócio como também a sanar falhas.
"O planejamento pode resolver até 70% dos problemas de uma empresa, que na maior parte das vezes estão ligados à falta de capacidade de gestão de quem comando o negócio e que não estavam sendo visualizados", diz Dariane Castanheira, professora de planejamento financeiro do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (Proced), da Fundação Instituto de Administração (FIA).
Quando Leonardo Silva Leandro, de 34 anos, resolveu investir na empresa de terceirização de serviços Expansão, há cinco anos, a companhia estava em decadência.
"Estava confuso, demorei pelo menos três meses para entender os custos, os ganhos e aonde o dinheiro ia parar", conta o sócio-diretor. "O que conseguimos perceber no planejamento financeiro é que estávamos pagando por pessoas que estavam ociosas, o que reduzia muito o lucro da empresa. Remanejamos essa mão de obra para atender os clientes, conseguimos economizar em logÃstica e material de limpeza e salvamos o negócio", conta.
Para Leandro, a parte mais difÃcil foi entender o fluxo de caixa e adaptá-lo acordo com os gastos que surgiam no mês. "Com a distribuição das entradas e saÃdas, nunca mais entramos no cheque especial ou precisamos de empréstimo. Agora, consigo ter sobras e até dinheiro para marketing. Montamos nosso site e tenho tempo de visitar os clientes."
EquilÃbrio
O professor de economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), José Eduardo Amato Balian, afirma que no planejamento financeiro não deve entrar apenas o quanto se paga e se recebe, mas também a parte de provisão para manter o caixa da empresa equilibrado em perÃodos de queda nas vendas.
"Tem de pensar nos gastos extras, como 13º dos funcionários e férias, ou em perÃodos como janeiro, em que as vendas são menores. Apagar o incêndio pode sair muito mais caro", diz.
Além de construir o plano financeiro com conhecimento profundo do caixa, patrimônio e vendas da empresa no final de ano pensando no perÃodo seguinte, o empreendedor deve trabalhar nesse planejamento ao longo do ano.
"Ele precisa ter acompanhamento mensal, ver o que está sendo cumprido ao longo do ano e receber pelo menos duas revisões a longo de 12 meses. Não é para esquecer", ressalta Dariane.
Para montar um plano de finanças do negócio, o empreendedor não precisa de softwares especÃficos; ele pode fazer isso com ajuda de planilhas. Quem tem dificuldade de administrar o caixa e quer se capacitar, há instituições e faculdades que podem oferecer cursos - alguns gratuitos - de extensão para ajudar o pequeno empresário na gestão do dinheiro da empresa.
Fonte: Jornal da Tarde