22/10/2010 - 07h35
Acréscimo de 20% no 13º salário em 2010 fará a festa do comércio
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Os comerciantes aguardam ansiosos o último bimestre do ano. Eles esperam longas e polpudas listas de presentes para o Natal. O motivo é simples: o consumidor terá à disposição, em razão do 13º salário, cerca de R$ 70 bilhões para bancar a festa.
Outros R$ 32 bilhões, de acordo com especialistas, já foram pagos aos trabalhadores com antecipações do benefÃcio em função de férias e acordos coletivos. No total, em 2010 a cifra chegará a R$ 102 bilhões, um recorde. Será 20% maior que o registrado no ano passado, quando os salários extras somaram R$ 85 bilhões, calcula o Departamento Intersindical de EstatÃstica e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Tamanho crescimento no bolo do 13º justifica-se pelo menor nÃvel de desemprego desde 2002, de 6,2% em setembro, e ainda pela forte expansão na renda dos trabalhadores - dois argumentos que começam a materializar o melhor Natal que o varejo brasileiro já experimentou.
Para José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese, o cálculo bilionário do 13º, embora encha os olhos, ainda é conservador. "Existem dados que não conseguimos mensurar, como os ganhos extras de fim de ano dos informais ou de trabalhadores pessoas jurÃdicas", diz. Ainda assim, Oliveira destaca que o avanço foi grande. "Cresceu o número de pessoas empregadas e tivemos também um ganho qualitativo, que é a expansão da renda".
Gastança
Projeções da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que 35% do 13º bilionário serão usados pelos brasileiros para quitar dÃvidas em atraso e para pagar contas. Outros 50% serão empregados efetivamente nos presentes. Os 15% restantes ficarão para a poupança.
"Tanto no primeiro caso quanto no segundo, o comércio vai ver esse dinheiro de forma direta. Sem dúvida, vai ser um Natal com o maior crescimento de que se tem notÃcia", avalia Roque Pellizzaro, presidente da entidade.
O bioquÃmico Jonas Santos, 29 anos, trabalha com carteira assinada em um laboratório desde fevereiro de 2010 e não pretende gastar o 13º salário com as despesas fixas. Santos vai quitar as prestações do carro e fazer uma viagem. Ele também vai receber um bônus que a empresa concede aos empregados.
"Com esse dinheiro, o próximo passo é adquirir um imóvel", diz. Quem também já sabe o que vai fazer com o 13º é a vendedora Pamella Silva Rodrigues, 23 anos. Empregada em uma loja de cosméticos com a carteira assinada desde novembro do ano passado, ela pretende pagar as últimas prestações de um computador. "Também vou comprar umas roupas, ajudar a minha mãe e, quem sabe, dar entrada em um carro", planeja.
Com o dólar baixo, as previsões apontam para um Natal de importados. "Mantendo-se o atual cenário cambial, vai haver uma oferta muito grande e produtos mais acessÃveis", prevê Pellizzaro. "Somados à ascensão de classes mais baixas, que nunca experimentaram esse perfil de produtos, os importados ganharão muita força". A expectativa de representantes do varejo, com base nessa demanda acelerada dos consumidores, é de que o segmento venda de 10% a 11% a mais neste ano.
Objeto de desejo
Os brasileiros estão com fome de gastar. O percentual de consumidores que pretendem ir às compras até dezembro chegou a 76,2%, diz a pesquisa trimestral Intenção de Compra no Varejo, da Fundação Instituto de Administração (FIA). Houve houve um aumento de 0,6 ponto percentual em relação aos 75,6% do trimestre anterior. A categoria de produtos mais cobiçada pelos consumidores é a de cine e foto (14,2%), seguida pelos eletroeletrônicos (13,2%), informática (12,4%), telefonia (10,4%), móveis (9,6%) e eletrodomésticos da linha branca (9,4%).
Fonte: Correio Braziliense