04/01/2010 - 08h47
Educação corporativa ainda não está consolidada no paÃs
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A educação corporativa no Brasil ainda está se consolidando e necessita investir mais na visão de cadeia de valor. Essa foi uma das principais conclusões da Pesquisa Nacional sobre Práticas e Resultados da Educação Corporativa, trabalho realizado por um grupo de pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP que levantou dados de 54 empresas do paÃs.
Dizem os especialistas, cadeia de valor e educação corporativa repercutem nas vendas e na produtividade. Ideia surgida nos Estados Unidos, na década de 1980, a educação corporativa foi desenvolvida por empresas para melhorar seu desempenho, oferecendo cursos tanto para funcionários internos como para as empresas associadas.
Já cadeia de valor se refere a todos os agentes envolvidos na produção de um bem em uma organização, que conta desde as relações com os fornecedores e ciclos de produção e de venda até à fase da distribuição final. Desse modo, ao conciliar visão de cadeia de valor com educação corporativa, a empresa otimiza os cursos dados, criando uma rede integrada com os diferentes responsáveis pela venda de um produto. Como foi concluÃdo pela pesquisa, isso repercute positivamente nas vendas e na produtividade.
Um exemplo envolvendo educação corporativa e cadeia de valor é quando uma empresa de bebidas decide averiguar quais são os diferenciais necessários para que as pessoas consumam seus produtos. Ela percebe que os consumidores são exigentes quanto à temperatura da bebida. Para atender a essa demanda, a empresa decide priorizar a distribuição e a logÃstica para que sua bebida chegue ao consumidor na temperatura ideal. Com essa ideia em mente, a empresa passa a oferecer cursos à s empresas afiliadas responsáveis pela distribuição da bebida com a finalidade de oferecer qualificação à s pessoas envolvidas neste setor.
A pesquisa da FEA destaca que, no Brasil, a educação corporativa é realizada principalmente por grandes empresas, o que evidencia a necessidade de cursos dispostos à s pequenas e médias empresas relacionadas à s grandes. No PaÃs, porém, há consideravelmente poucas redes integradas e as empresas que exploram a educação corporativa precisam estabelecer critérios claros para prática e avaliação dos cursos. Marisa Eboli, professora da FEA e coordenadora da pesquisa, justifica que as empresas ainda estão consolidando a educação corporativa. "A grande maioria começa a educação corporativa para as necessidades de formação do público interno, depois amplia para o público externo".
Dados e desafios
A pesquisa envolveu empresas de infraestrutura, industriais, de serviços, do comércio varejista e do financeiro, com capital nacional e estrangeiro. A maioria é do setor industrial ou de serviços (68%), privada (81%), de capital nacional (67%), com atuação internacional (63%), faturamento acima de R$ 1 bilhão (57%) e com mais de mil colaboradores (70%).
Apesar da falta de investimento em cadeia de valor, 59% das empresas gastam mais de 3% da folha de pagamento com educação corporativa. Além disso, na maioria (55,5%), existe um sistema de educação há mais de quatro anos. Portanto, as empresas estudadas mostram interesse em investir no sistema, que contém vários desdobramentos estratégicos para elas, como alinhamento e inserção na cultura, integração com as demais áreas da empresa, modelo de governança, internacionalização da educação corporativa e mensuração e avaliação de resultados.
Dos desafios apontados pela pesquisa, além do acesso irrestrito a todos os públicos (internos e externos), são listados: conscientização e participação das lideranças em todo o processo da educação corporativa, integração entre ações da educação corporativa e as demais áreas da empresa e apropriada mensuração e avaliação dos resultados obtidos.
Fonte: Canal Executivo