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23/10/2009 - 07h35

Empresas reavaliaram modelos de negócios e buscam flexibilidade no pós-crise

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Um estudo da Ernst & Young, divulgado globalmente, mostra que 90% das empresas reavaliarem modelos de negócios e buscarem maior flexibilidade em função da crise e como forma de se preparar para a retomada. Denominado Lessons from Change, o estudo compila as impressões de mais de 500 empresas clientes de todo o mundo, inclusive do Brasil.

Conforme o documento, muitas companhias estão emergindo da crise de incerteza financeira e começando a se planejar para o futuro - mas elas reconhecem que estão lidando com um ambiente de negócios muito diferente. Houve um consenso de que muitas lições podem e devem ser aprendidas a partir da experiência dos últimos 18 meses.

Esse novo ambiente global é bem mais duro do que a bolha que o antecedeu. "À primeira vista, as perspectivas para os negócios nesse mundo pós-recessão são bem menos convidativas. A demanda deve continuar deprimida no horizonte visível, o desemprego pode continuar em níveis mais altos, assim como a taxação, para ajudar nos programas de estímulo dos governos e a confiança dos consumidores deve levar algum tempo para ser retomada", explica Carlos Miranda, sócio de Mercados e Estratégia da Ernst & Young para a América do Sul. "Também não há dúvida que haverá uma regulação mais profunda e mais extensa".

Um dos dados que a pesquisa evidencia é a mudança de prioridades devido à transformação do ambiente de negócios. "Em seis meses, o foco passou da sobrevivência, da luta para obtenção de caixa para pagar funcionários e fornecedores, para uma reavaliação do modelo de negócios e otimização da flexibilidade das operações", explica.

Cerca de 90% dos clientes avaliados adotaram ou consideraram a possibilidade de adotar uma estratégia de redirecionar o foco para o core business. Isso ocorreu por duas razões: primeiro, porque ativos dessa natureza passaram a ser vendidos pelas corporações; em segundo lugar, porque houve a percepção que diversificar atividades representa alto custo e é uma estratégia de alto risco.

Uma proporção igualmente significativa reafirmou a estratégia em clientes-chave (84%) e de revisão da rentabilidade (85%).

A pesquisa mostrou que as companhias também continuavam buscando formas de reduzir custos a fim de se adaptar de forma mais rápida e efetiva a um mercado em transformação. Mais de 90% das companhias ou aceleraram seus programas de redução de custos no negócio (74%) ou estavam estudando o tema com atenção (18%).

O número de companhias que introduziram processos de terceirização ou compartilharam centros de serviço foi menor, de 55%, mas 31% estavam avaliando introduzir alguma implementação visando a melhora da eficiência no negócio. Também predominou a busca de uma agenda visando a redução de custos fixos.

Outro ponto destacado na pesquisa foi a necessidade de melhores previsões ou análises (80%) e a flexibilização do trabalho em lugar da redução de quadros (71%).

A pesquisa também avaliou como a crise impactou diferentes setores da economia. Enquanto os setores bancário e automotivo enfrentaram grandes mudanças em termos globais, outros - saúde, tecnologia e petróleo - não sentiram a crise com igual força.

Outro item que chama a atenção é a busca por novos mercados. Um temor pós-recessão era o recrudescimento do protecionismo e o fechamento dos mercados, mas a tendência é oposta: 85% das empresas já tinham diversificado seus mercados ou estavam avaliando a possibilidade.

"Aqui no Brasil foi perceptível como os mercados emergentes se recuperaram mais rapidamente. Nossos clientes viram que 15% das 100 maiores da Fortune já são empresas sediadas nos BRICs, e que as oportunidades são concretas", explica Miranda.

Fonte: Canal Executivo

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