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Em relatório especial, a revista The Economist mostrou como as empresas norte-americanas foram afetadas pela crise e, para aquelas que sobreviveram, como elas levam e deverão levar os seus negócios daqui para frente. Em um cenário ainda bastante conturbado, uma coisa é certeza, a "extravagância está fora de moda".
A crise, que teve inicio em Wall Street e que levou à falência diversas instituições como o Lehman Brothers, considerado um modelo em gestão de investimentos para muitos executivos, não demorou a atingir também o setor não-financeiro da economia.
Entre trilhões de dólares que desapareceram do mercado e outros bilhões em prejuÃzos de grandes corporações, a atividade norte-americana foi seriamente afetada, sendo constatada uma recessão desde o final de 2007, conforme apontam os dados do governo local.
Ambiente áspero
"Para muitos executivos, esse é o pior ambiente de negócios que eles já viram", afirmou Lenny Mendonça, da McKinsey Global Institute, citado pela Economist em seu artigo especial "Surving the slump", publicado na última quinta-feira (28) no site da revista.
Nesse sentido Arne Sorenson, presidente dos hotéis Marriott, compara a situação atual como aquela que se sucedeu aos ataques de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas de Nova York. Naquela época os norte-americanos simplesmente pararam de viajar.
Com os atentados, a receita da Marriott recuou 25%, mesmo número de agora, afirmou Sorenson. Os problemas no setor, como em vários outros, foram precedidos de uma massiva expansão, impulsionada por crédito barato e o desejo de construções cada vez maiores "como se o mundo todo estivesse planejando umas férias em Las Vegas", comparou a revista.
Sem bônus
A situação é tão grave que até os altos executivos estão aceitando reduções salariais. O pagamento médio dos CEOs (Chief Executive Officer) das empresas que fazem parte do Ãndice S&P 500 recuou 6,8% em 2008, enquanto que aquele de "grandes titãs" de Wall Street caiu 38%.
Isso aconteceu, logicamente, com alguma resistência. Como no caso da AIG, que foi imposta uma taxa retroativa de 90% sobre os bônus pagos aos seus funcionários durante o seu escândalo, há alguns meses. Como a medida não foi aprovada, o procurador-geral de Nova York ameaçou divulgar o nome dos beneficiados, causando assim um mal-estar moral entre os executivos da seguradora.
Extravagância fora de moda
Com diversas empresas indo à falência, o desemprego em alta e trabalhadores beirando a inadimplência tanto em relação à s suas casas quanto ao restante de suas dÃvidas, a extravagância e outros luxos usufruÃdos pelas empresas parecem ter ficado fora de moda, mesmo se apenas por uma questão de aparência.
As medidas para evitar qualquer atitude que pareça extravagante demais estão sendo adotadas em toda parte. Como exemplos disso, agora reuniões em resorts soam como tabu, afirma a Economist. O Goldman Sachs, um dos mais renomados bancos de investimentos dos Estados Unidos, cancelou no último minuto uma conferência em Las Vegas e remarcou-a para São Francisco, de forma a parecer "menos divertida", apesar de mais cara.
Tudo de volta ao que não era antes
Apesar dos pesares, "a dor passará" e a economia pouco a pouco deverá se recuperar, conclui o artigo. As companhias norte-americanas deverão retomar o seu brilho de antes, mas não sem danos colaterais, já que muitas também desaparecerão. Porém, as sobreviventes deverão sair da crise mais enxutas e fortes do que antes.
Conforme ressaltado, a crise se mostrará imensamente destrutiva, no entanto colocará em exposição técnicas administrativas ruins, forçando assim a mudança para métodos mais eficientes. Nos próximos anos, os negócios que deverão se sobressair serão aqueles de baixo custo, baixo endividamento, preocupado com o seu fluxo de caixa e muito atento aos desejos dos consumidores.
Fonte: Site InfoMoney.
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