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12/12/2008 - 08h02

A crise e as prioridades

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Edmilson Rosa*

Em meio à incerteza gerada pela crise financeira mundial, as empresas brasileiras enfrentam o desafio de planejar seus passos para o próximo ano. O momento é de calcular riscos, estudar quais projetos continuam e o que é prioritário. O mais difícil é como evitar que o temor tome a frente nas decisões e acabe paralisando projetos ou cancelando ações importantes. A prudência, uma qualidade tão importante para a sobrevivência humana, no mundo dos negócios pode trazer algum prejuízo quando empregada sem critério.

Em qualquer situação econômica, tornar-se ou (manter-se) competitivo começa com o controle preciso e sistemático dos processos da organização, com custos ajustados e otimizados, mantendo uma visão precisa das informações que vão servir para a tomada de decisões. Algumas áreas e serviços essenciais não podem ficar de fora nesse planejamento, mas no máximo, ser readequadas. É o caso dos investimentos em tecnologia da informação.

Alguns setores da economia já reconheceram a necessidade de continuar investindo em TI, entendendo que muitos projetos na área estão ligados diretamente ao negócio central das empresas. Ou seja, é melhor continuar a tocar projetos do que pisar no freio de repente e correr o risco de perder o investimento feito ou comprometer a competitividade da empresa num futuro próximo. O raciocínio vale para empresas de todos os portes.

Grandes compradores de tecnologia da informação, como bancos, operadoras de telefonia e construtoras, declararam que pretendem manter seus investimentos na área em 2009. Outros setores esbanjam serenidade. A Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) declarou que o setor deverá aumentar de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,4 bilhão seus investimentos em TI ainda este ano e que serão priorizados investimentos nas áreas de processos e gestão de produtos. A confederação do setor também revelou que, dependendo do porte e perfil das seguradoras, os investimentos em TI, que significam 2% dos prêmios emitidos, podem atingir até 2,5%.

Até mesmo nos Estados Unidos, o epicentro da crise, há focos de otimismo para a área de TI. O instituto de pesquisa Forrester acredita que os problemas na economia não devem afetar diretamente os orçamentos e por uma razão simples: a TI não é apenas uma ferramenta para organização interna, mas um elemento estratégico para os negócios. A dica é enxugar custos e manter projetos que vão terminar no próximo semestre ou que trazem resultado financeiro em até um ano e principalmente aqueles estratégicos, que trazem eficiência e, em longo prazo, custos até menores.

Parte dos especialistas em finanças estima que o pior período da crise deve durar até 18 meses. Se a previsão se confirmar, paralisar programas e investimentos em TI pode representar sério risco ao negócio quando a "normalidade" da economia for retomada. A fatia do bolo destinada a sistemas inteligentes em uma empresa não pode ser negada. E muito menos ser confundida com a cereja do bolo.

Edmilson Rosa é consultor e diretor da P2HE.
Fonte: Site HSM On-line.

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