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28/04/2008 - 14h27

Fim de caso

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Sair bem de uma empresa é tão importante quanto começar com o pé direito em outra. Veja como deixar as portas abertas ao pedir demissão.

Seja sincero na hora do adeus, ter uma boa conversa com o chefe é fundamental. Um papo que deve ser pautado pelo respeito, honestidade e clareza de objetivos. Foi assim com a publicitária carioca e ex-gerente de comunicação da Telemar Daniela Boclin, de 33 anos. Satisfeita com o trabalho, mas decidida a pedir as contas para rever a carreira, ela foi promovida em agosto de 2006. No dia seguinte, resolveu abrir o jogo. "Expliquei ao meu chefe que aceitar a promoção não seria bom nem para mim nem para a empresa, que não merecia ter um funcionário com um pé dentro e outro fora." A atitude de Daniela se encaixa perfeitamente em outra regra importante para quem se demite, que é chamar a responsabilidade para si. "Aquele que está insatisfeito deve direcionar a conversa para os seus próprios sentimentos e explicar que não se adaptou, ou acha que já não atende mais às expectativas da companhia", afirma Moacir Carlos Sampaio Silva, coordenador da pós-graduação em psicologia social das organizações do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Se o profissional for surpreendido com uma boa proposta, é o caso de enfatizar os pontos fortes do atual emprego, mas destacar que tem possibilidades mais interessantes na nova empresa. E preparar a partida. "Marcará pontos com o futuro chefe o funcionário que se mostrar responsável, comprometido com a organização anterior." Disso a psicóloga paulista Fernanda Franzini, de 25 anos, entende bem. Generalista de RH do Citigroup desde novembro de 2006, ela pediu um mês à empresa para se desligar da Avon, na qual trabalhava antes como analista de RH. "Estava feliz lá, ninguém esperava a minha saída", afirma Fernanda, que diz ter trocado de patrão pela chance de crescer na carreira e ocupar uma posição mais sênior. "Não saí do dia para a noite: apresentei os projetos a quem ficou no meu lugar e tive o cuidado de conversar até com os fornecedores."

Nesse jogo de negociações, há quem tente levar vantagem. O que os espertinhos não sabem é que as trapaças podem virar mico. "Alguns jovens profissionais nem sabem se querem mesmo mudar de emprego, mas participam de seleções para tentar leiloar o próprio passe e assim obter um aumento de salário", diz Fernando de Castro, gerente da Michael Page, consultoria de recrutamento especializada na média e alta gerências, em São Paulo. Nesse caso, se as reais intenções do candidato forem descobertas, é grande o risco de ele queimar o próprio filme com uma organização que poderia render boas oportunidades no futuro. Entre os mais velhos, é comum o truque de esconder determinados benefícios e só colocá-los na mesa quando a empresa interessada em contratá-lo apresenta a proposta. "Aí surgem bônus de retenção e planos incríveis de previdência privada, o que compromete a seleção na reta final e gera desconfiança." Moral da história: seja transparente com todos os lados envolvidos na transição.

Isabela Barros
Fonte: Portal Exame

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