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Fusões que demoram para ser concluídas podem emperrar o crescimento da carreira. Saiba quando vale a pena esperar a integração de duas empresas
Por RENATA AVEDIANI
Atualmente, os dois mais importantes processos de fusão entre empresas que atuam no país são os que envolvem os bancos Santander e Real e as operadoras de telefonia Oi e Brasil Telecom este último depende ainda de aprovação de órgãos reguladores. As duas operações envolvem 56 167 e 25 677 funcionários, respectivamente. Como de costume, cargos iguais devem ser eliminados, com possíveis demissões. Nos dois casos, já foi anunciado que a integração levará ao menos dois anos. Isso quer dizer que, por um período, as pessoas que trabalham nessas empresas terão de condicionar os planos de carreira ao processo de união. Será que vale a pena apostar em crescimento profissional numa integração lenta? A resposta dependerá das expectativas, diz Denys Monteiro, sócio da Fesa Global Recruiters, empresa de seleção de executivos. Se a idéia é crescer rápido, talvez seja melhor sair. Por outro lado, participar de uma integração pode enriquecer o currículo. Ainda tem dúvida? Então use o roteiro a seguir para decidir que rumo tomar.
1º Passo AVALIAÇÃO
Avalie suas competências e veja o que pode oferecer à empresa que está se formando. Vale conversar com pessoas de confiança na companhia, resgatar avaliações antigas para checar sua evolução e se comparar com pares no mercado.
REVISE O CURTO PRAZO
Avalie se o cenário está alinhado ao seu plano de carreira. Se você planejou uma promoção para curto prazo, por exemplo, talvez seja hora de rever o tempo estipulado. Leva, em geral, um ano para a empresa tomar conhecimento dos recursos, desenhar estratégias e agir, diz Thaís Blanco, consultora em fusões e aquisições da Hewitt, de São Paulo.
AVALIE O MERCADO
Informe-se sobre os objetivos da fusão. Em algumas situações, o número de demissões pode ser pequeno. Em casos de expansão ou diversificação de atividades, as chances de enxugamentos são menores, diz Denys Monteiro, da Fesa. João Henrique Palmer Caldeira, de 49 anos, gerente-geral de trefilação da s iderúrgica A rcelorMittal, participou de dois processos de fusão. Nas duas vezes optou por ficar. As empresas tinham atividades complementares e não havia outro profissional que executasse a minha função, explica João.
SEJA CAUTELOSO
Tenha paciência nos primeiros meses após o anúncio do negócio. As pessoas nem conseguem perceber as oportunidades que se abrem numa fusão porque bate o desespero, diz Thaís, da Hewitt. Marcos Grossi Almeida, de 44 anos, superintendente de telecomunicações do Itaú, já viveu duas aquisições. Na primeira, estava no Noroeste quando o banco foi comprado pelo Santander, em 1998. Ele achou que o negócio lhe traria ascensão profissional imediata. Mas as coisas não ocorreram no ritmo que ele esperava. Fiquei frustrado e deixei o banco, diz Marcos.
2º PASSO DECISÃO
OPÇÃO 1: TOPEI FICAR
Se você concluiu que terá boas chances de sucesso se fi car na organização, tome as seguintes providências:
SEJA COLABORATIVO
Se resolver ficar, colabore. Não resista às mudanças. A experiência pode acelerar o desenvolvimento de competências como comunicação e gerenciamento de conflitos. Foi o que sentiu Marcos Grossi, na segunda aquisição que vivenciou, em 2006, quando o BankBoston foi adquirido pelo Itaú. Me envolvi e cresci com isso, diz Marcos.
CONTROLE A ANSIEDADE
Esse foi um dos maiores desafios para Marcos. Se me contaminasse pelo clima de incertezas, prejudicaria a equipe. Durante a transição tudo tende a ficar lento. Batalhe para que a área não pare. Lidar com a adversidade é uma das habilidades mais valorizadas, diz Jairo Okret, sócio da Korn/Ferry.
OPÇÃO 2: RESOLVI SAIR
Se não há espaço para você na nova estrutura ou você não está disposto a esperar até o final do negócio, acione seu plano B.
CORRA ATRÁS DO PREJUÍZO
Melhore a empregabilidade com cursos e treinos. Quem está atualizado tem mais chances de conquistar vagas inesperadas.
PROCURE AS EMPRESAS CERTAS
Muitas empresas ficam de olho nos profissionais de companhias que se unem. Determine lugares nos quais gostaria de trabalhar e busque conhecer pessoas dentro deles.
FAÇA UMA MUDANÇA COERENTE
Cada vez mais, os recrutadores querem saber as reais motivações do profissional. Mudar sem motivo coerente pode demonstrar imaturidade e falta de planejamento, diz Denys. Melhor é dizer que a empresa já não oferece perspectivas de crescimento profissional.
*Fusões e aquisições
Entre janeiro e abril de 2008 foram realizadas 214 transações desse tipo.
*Setores mais quentes Alimentos, bebidas e fumo; Tecnologia da informação; e Serviços públicos.
Fonte: Revista Você S/A.
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