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Dicas de Gestão Comercial

24/06/2008 - 09h25

De onde vêm as boas idéias

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Dez empreendedores de pequenas e médias empresas em crescimento contam como tiveram inspiração para começar um novo negócio, aumentar as vendas, enxergar brechas em seus mercados e resolver problemas de gestão 


Qual era a sua relação com as abelhas quando criança? Como os sanduíches o ajudaram a vender produtos de segurança?

Durante quase dois meses, pequenos e médios empresários de várias regiões do país foram procurados pela equipe de EXAME PME para responder a perguntas como essas. As questões faziam parte de um esforço para entender de onde empreendedores à frente de negócios em crescimento tiram sua matéria-prima mais importante as idéias.


A resposta está nas trajetórias de dez pequenos e médios empresários retratados nas próximas páginas. Em comum, as idéias aqui relatadas são, quando examinadas de perto, bastante simples. Algumas parecem triviais até como a idéia de fazer uma empresa de cachorro-quente em miniatura para festas de criança. Ou a conclusão de que é mais eficiente contratar funcionários que moram perto do trabalho do que procurar gente que mora longe. As idéias que estão no centro das trajetórias desses empreendedores vieram parar aqui por um motivo muito concreto elas foram ou estão sendo decisivas em momentos críticos de seus negócios.


De onde, afinal, os empreendedores bem-sucedidos buscam inspiração para encontrar suas melhores idéias? Não há uma, mas duas, três, dez, 20 respostas. Pode ser da vivência pessoal. Pode ser da observação. Pode ser da idéia de outra pessoa. As boas idéias dos pequenos e médios empresários de sucesso, constatamos, podem vir de inúmeras situações. Mas conseguimos saber de onde certamente elas não vêm. As boas idéias aqui descritas não vieram de um estalo, de um lampejo criativo, de uma espécie de estado de graça empreendedora que muita gente imagina existir.


Nos Estados Unidos, há um próspero mercado de livros escritos por consultores e especialistas que tentam ensinar pessoas comuns a aumentar a criatividade nos negócios. Há de tudo de estudos profundos de professores de universidades respeitadíssimas a pequenos panfletos de bolso. Há os que sugerem métodos para estimular a criatividade, exercícios para diminuir aquele tipo de estresse que parece paralisar o pensamento, jogos visuais que teriam o poder de expandir a imaginação. Nenhuma dessas fórmulas é garantida. Podem dar certo ou não. Somando o conteúdo dos livros com as histórias dos empreendedores aqui retratadas, a conclusão é: não existe uma regra. Em sua trajetória, cada pequeno ou médio empresário deve encontrar o próprio jeito de ter idéias e descobrir quais pessoas, lugares ou situações podem servir de inspiração.



A idéia que aparece
Da vivência pessoal
"Teoria nenhuma é capaz de ir além da experiência "
John Locke - filósofo britânico
Há oito anos, quando o administrador de empresas Maurício Catelli, de 40 anos, e mais quatro amigos se juntaram para fundar a CAS, empresa paulista que fornece tecnologia para monitoramento de redes, havia uma certeza entre eles. "Não queríamos que os funcionários com perfil empreendedor fossem embora para nossos concorrentes", afirma Catelli. A origem da preocupação era a experiência pessoal de seus sócios, ex-funcionários de uma empresa de tecnologia que deixaram os empregos porque queriam ter o próprio negócio. Eles até gostariam de ter ficado na companhia anterior, mas ali não havia um regime de participação no capital. "O desafio era como, exatamente, implantar algo assim na CAS", diz Catelli. "Não sabíamos de nenhuma empresa brasileira de pequeno porte que nos servisse de referência." Ele então se lembrou da Saic, uma companhia americana de tecnologia que dava opção de compra de ações aos funcionários. No site da empresa, achou o e-mail do fundador, Robert Beyster. "Escrevi pedindo que nos explicasse como montar um sistema como o deles", diz Catelli. No mesmo dia, Beyster respondeu a mensagem com um convite para que um dos sócios fosse a San Diego, onde ele ficava. Depois de entender o modelo da Saic, os sócios da CAS criaram o próprio programa. Uma vez por ano, cada funcionário pode comprar cotas de ações no valor equivalente a um mês de salário. Pensado principalmente para evitar a perda de profissionais talentosos e estratégicos, o programa fez com que todos os diretores, gerentes e analistas seniores, num total de 23 pessoas, se tornassem sócios minoritários. Apenas um saiu da companhia. Em 2007, a CAS registrou um faturamento de 20 milhões de reais -- 47% mais do que no ano anterior.
Lucas Amorim



A idéia que aparece
Ao ver conexões entre idéias aparentemente desconexas
"A criatividade é o poder de conectar elementos que parecem não ter nenhuma ligação entre eles"
William Plomer - escritor sul-africano
O paulista Antonio Carlos Viegas Filho, de 37 anos, comanda a Moldura Minuto, uma rede de 32 lojas instaladas em shoppings de sete estados do Brasil que deve faturar 16 milhões de reais até o final do ano com a venda de molduras, quadros, fotos e pôsteres. A proposta da Moldura Minuto é inusitada. "Quero despertar nos clientes que estão passando o impulso de comprar molduras", diz Viegas. Parece uma idéia muito estranha -- e é. Para compreendê-la, é preciso acompanhar a trajetória da empresa desde o começo. Durante os anos que passou em Portugal, onde trabalhou como dentista, Viegas viu uma loja que fazia serviços de emolduração de quadros em até 1 hora. Em 2000, quando voltou para o Brasil, ele copiou a idéia e montou a primeira Moldura Minuto no Shopping Villa-Lobos, em São Paulo. Um dia, observando o comportamento dos consumidores diante das vitrines, Viegas teve um pensamento que lhe pareceu um tanto absurdo -- e se ele reformulasse a Moldura Minuto para torná-la tão atraente como uma daquelas lojas de roupa da moda? "Eu me convenci de que era possível vender muito mais se as molduras fossem vistas como objetos de desejo", afirma Viegas. "Se a Moldura Minuto fosse tão atraente quanto os outros negócios do shopping, as pessoas entrariam nela mesmo que não tivessem intenção de emoldurar quadro nenhum." As peças mais bonitas passaram a ocupar lugar de destaque em vitrines vistosas. O interior ganhou paredes coloridas e iluminação igual à das butiques do shopping. "Antes, o maior atrativo da fachada era uma placa com informações sobre o serviço prestado", diz ele. O conceito que mistura oficina de serviços rápidos com butique chique prosperou. Hoje, a Moldura Minuto é uma rede de franquias cujas vendas crescem ao ritmo de 50% ao ano -- em seus três primeiros anos de vida, a média era 20%.
L.A.



Como aumentar a criatividade numa pequena ou média empresa
O que torna algumas empresas verdadeiras usinas de boas idéias, enquanto outras parecem destinadas a fazer tudo sempre igual? Para o consultor americano Michael Michalko, escritor de best-sellers sobre o pensamento criativo nos negócios, quando os funcionários são encorajados, as sugestões aparecem. Veja dez formas ao alcance de qualquer pequena ou média empresa para estimular a criatividade interna

Como colocar em prática
1- Uma pequena idéia todo dia, como ginástica
Propõe-se aos funcionários melhorar diariamente um aspecto de seu trabalho. Reuniões periódicas nas quais cada um conte aos colegas as iniciativas que deram mais resultado disseminam as melhores idéias e ajudam a gerar outras
2 - Um mural de problemas e soluções
Um tema em discussão ou um problema que precise de uma solução criativa pode ser afixado num mural. A empresa deve propor aos funcionários que coloquem ali suas idéias e dêem sugestões para resolver o problema
3 - Cantinho para fazer uma pausa para pensar
Deve-se reservar na empresa uma área especial onde as pessoas possam se retirar para pensar. Pode ser uma sala de reuniões usada em horários ociosos ou uma mesa num canto com livros e vídeos sobre criatividade e jogos que estimulem o raciocínio
4 - Bloquinho para anotar as idéias
Cada funcionário ganha um bloco para anotar pelo menos três idéias por dia. No final do mês, os blocos são recolhidos, e as sugestões, analisadas. As que podem ser aplicadas devem ser amplamente divulgadas
5 - Eleição de um comitê de criatividade
Voluntários compõem um comitê para discutir e implementar boas idéias em vários departamentos. O mesmo grupo pode ficar com a atribuição de premiar os funcionários conforme a quantidade e a qualidade das sugestões
6 - Razão e intuição se completam no dia-a-dia
Formam-se dois grupos — o dos racionais e o dos intuitivos. Os primeiros se concentram em idéias lógicas e práticas. Para os intuitivos, pede-se que tragam soluções pouco convencionais. Ao final, as idéias são discutidas em conjunto e melhoradas
7 - Almoço com um convidado criativo
Grupos de três a cinco funcionários se reúnem num almoço para bater-papo com uma pessoa criativa de fora da empresa. Não é necessário que ela conheça o setor. O objetivo é extrair dela sugestões sobre como ser mais criativo no dia-a-dia dos negócios
8 - Metas com prazo para cumprir
Thomas Edison estabelecia para si a meta de ter uma pequena invenção a cada dez dias e um grande invento a cada seis meses. Pode-se estabelecer, por exemplo, que cada funcionário faça cinco sugestões por semana
9 - Mudança de atitude quando algo dá errado
Em vez de investir tempo entendendo por que algo não funcionou direito, deve-se perguntar às pessoas o que elas acham que deve ser feito para que aquilo que hoje está dando errado passe a funcionar corretamente
10 - Pontos de vista de fora são bem-vindos
Jonas Salk, criador da vacina contra a poliomielite, ouvia palpites de leigos. Ele dizia que deles vinham ótimas idéias. Da mesma forma, colegas de outro departamento podem enriquecer uma discussão empacada


A idéia que aparece
De novas combinações
"A originalidade está em novas combinações, e não em algo vindo do nada"
Richard V. Clemence - economista americano
O empreendedor José Rubens de Almeida, de 59 anos, tirou de um lanche com os funcionários no McDonald`s uma das melhores idéias para seu negócio no ano passado. Ele é o proprietário da Casa do Instalador, em Santos, no litoral paulista, empresa especializada na venda de sistemas eletrônicos de segurança para condomínios. Enquanto comiam batata frita e sanduíche com refrigerante, surgiu a idéia que permitiu impulsionar as vendas de equipamentos. Ele via as outras pessoas fazendo pedidos dos combos, como são chamadas as combinações dos lanches do McDonald`s -- o número 1, do Big Mac, ou número 2, do McChicken, por exemplo. Se havia combos de hambúrgueres, por que não poderia existir combos de câmeras de monitoramento, monitores e computadores dos sistemas de segurança? A empresa então criou um kit que oferece, num único pacote, os produtos indispensáveis para montar um sistema desses. "A lógica é a mesma seguida pelo McDonald`s", afirma Almeida. O combo 1 do McDonald`s, por exemplo, é batata frita + sanduíche Big Mac + refrigerante e custa 11 reais. Pedidos separadamente, saem por 14,50 reais. "Como consumidor, eu me sinto mais estimulado a fazer o pedido, e talvez de outra forma eu não comprasse a batata frita", diz Almeida. A mesma lógica foi transportada para a Casa do Instalador. A empresa passou a oferecer um produto chamado Kit de Segurança, formado por computador + câmera + placa de vídeo + software, ao preço de 2 267,38. Separadamente, saem por 400 reais a mais. Depois que o kit foi colocado à disposição dos clientes, a participação dos produtos nele contidos na receita total da empresa passou de 8% para 40%.
Robson Viturino

 


A idéia que aparece
De uma necessidade
"Existem duas razões para fazer algo uma razão boa e a razão real"
J.P. Morgan - banqueiro americano
O engenheiro Cesar Paz, de 44 anos, costumava enfrentar uma dificuldade comum a muitos empresários da área de tecnologia e internet a necessidade de encontrar mão-de-obra qualificada num setor que cresce em ritmo acelerado. Presidente e sócio da AG2, uma agência de publicidade e comunicação pela internet com sede em Porto Alegre, Paz contratava jovens recém-formados em cursos técnicos para depois desenvolver em casa seus próprios webdesigners -- mas demorava pelo menos um ano para que eles aprendessem tudo que precisavam para construir os sites que a AG2 faz. Num setor em que há mais vagas do que bons profissionais para preenchê-las, a falta de pessoal podia se transformar num grande obstáculo para a expansão da empresa, que faturou no ano passado 10 milhões de reais, 60% mais que em 2007. A inspiração para resolver o problema apareceu quando Paz estava num cliente de sua filial em Pelotas, no Rio Grande do Sul. A AG2 tinha sido contratada para dar aulas aos professores do Centro de Ensino Técnico Federal (Cefet) da cidade, que mantinha um curso técnico de programação visual, do qual saíam muitos estagiários para a unidade que a agência mantém na cidade. "Foi quando me dei conta de que poderíamos incluir aulas de webdesign no currículo", diz Paz. "Assim, os estagiários já sairiam mais preparados para trabalhar conosco." A mudança no currículo aconteceu em 2006. Os primeiros resultados começaram a aparecer no ano passado o tempo de treinamento dos novos estagiários que se formam no Cefet caiu de um ano para seis meses.
Arlete Lorini


A idéia que aparece
Ao mudar o ponto de vista
"A observação muda a natureza do que é observado"
Werner Heisenberg - cientista alemão
O empresário Jimmy Cygler, de 58 anos, reduziu a rotatividade de pessoal da Proxis, de São Paulo, empresa de call center que ele fundou em 2005, ao mudar o ponto de vista do qual ele enxergava o problema. Em média, um atendente não ficava mais que um ano no emprego. "O pior é que não adiantava nem oferecer aumento", diz Cygler. "A concorrência cobria a proposta e o funcionário pedia as contas do mesmo jeito." Depois de muitas tentativas de segurar os funcionários, ele percebeu que poderia haver algo além do salário capaz de manter os atendentes na Proxis. Nas conversas com eles, Cygler descobriu que muitos demoravam até 3 horas no deslocamento para o trabalho -- e que a distância entre a casa e a empresa pesava bastante na decisão de pedir demissão. "Aquilo me fez perceber que eu estava olhando o problema de forma errada", diz Cygler. Por isso, desde julho de 2007, a Proxis contrata funcionários que demorem no máximo 1 hora para chegar à sua sede, no bairro paulistano do Brooklin. Implantada há nove meses, a política fez a rotatividade cair de 8% para 5,7%. Os custos com vale-transporte também diminuíram, e hoje a empresa desembolsa 12% menos com esse benefício. "Agora que o entra-e-sai está diminuindo, acredito que podemos economizar bastante com treinamento", diz Cygler.
L.A.



A idéia que aparece
De uma outra idéia
"Comece com aquilo que é dos outros para depois terminar com algo que seja seu"
Baltasar Gràcian - filósofo espanhol
Há poucas coisas que dão mais prazer ao paulistano Daniel Topel, de 34 anos, do que ver um filme em casa. Isso lhe pareceu particularmente complicado após 2002, quando voltou para o Brasil depois de cinco anos trabalhando para consultorias nos Estados Unidos. "Eu já tinha me esquecido do transtorno que era enfrentar o trânsito de São Paulo para buscar e levar filmes na locadora", diz Topel. "Não me conformava com a inexistência de uma locadora que entregasse os filmes em casa, como a que eu usava nos Estados Unidos." Topel, que então trabalhava como consultor no Brasil, escreveu um esboço do plano de negócios que daria origem à sua empresa -- a NetMovies -- no final de 2004. Para criá-la, ele partiu de uma idéia já pronta -- a americana Netflix, maior empresa do mundo em locação de filmes pela internet. A princípio, ele pensou em simplesmente reproduzir no Brasil o modelo da Netflix. Depois de assistir a um filme, os americanos o devolvem pelo correio. Quando o DVD dá entrada no acervo, um novo vai para a casa do cliente -- processo que pode levar de dois a quatro dias. "Eu acreditava que o serviço poderia ser muito mais simples para o usuário", diz Topel. Na NetMovies, tudo é feito sem que seja preciso sair de casa. Para receber um novo filme, o assinante entra num site e agenda a retirada. No dia marcado, um mensageiro busca o DVD e, na mesma ocasião, entrega outro. Para que isso funcione, Topel desenvolveu seu próprio modelo logístico. Os motoqueiros da NetMovies são orientados a não ficar mais de 2 minutos na porta da casa do cliente. Se o DVD não estiver à mão, o mensageiro vai embora. Era preciso ainda encontrar uma forma de envolver o menor número possível de motoboys. Diferentemente da Netflix, que usa caixinhas de papelão, a empresa de Topel coloca os DVDs em envelopes plásticos, o que permite carregar uma grande quantidade no baú das motos. Com esse sistema, a NetMovies alcançou um faturamento de cerca de 12 milhões de reais no ano passado e, em setembro de 2006, obteve um aporte do fundo Ideiasnet, que investe em pequenas e médias empresas com grande potencial de crescimento.
L.A.

 


A idéia que aparece
Ao olhar de novo
"Eu reviro o palheiro inteiro até encontrar não uma, mas todas as agulhas"
Albert Einstein - cientista alemão
A gaúcha Márcia Moreira Faria, de 48 anos, dona da Degusttares, construiu uma empresa com base em um simples pãozinho com salsicha que cabe na palma da mão. Ela criou esse minicachorro-quente, chamado de Totosinho, que se tornou um petisco popular nas festinhas de aniversário ou de empresas em Porto Alegre. Márcia precisou olhar duas vezes para enxergar a oportunidade que estava escondida num setor no qual aparentemente não havia perspectiva de crescimento. A inspiração para começar o negócio, que faturou 3,5 milhões de reais no ano passado, surgiu quando Márcia, que trabalhara como organizadora de festas, se deu conta de que havia fornecedores para quase tudo o que ela precisava. Bolo, salgadinhos e docinhos vinham prontos para servir e eram entregues pouco antes do início da festa. Mas o cachorro-quente não. Para ela, aquilo era visto como um contratempo. Era preciso comprar os ingredientes, preparar o molho, mantê-lo aquecido e encontrar alguém para servir os convidados. "Num segundo olhar, achei que faltava no mercado uma empresa que entregasse o produto pronto", diz Márcia. "Se eu procurava algo assim, outras empresas que organizavam festas também." No ano passado, a Degusttares vendeu 2,5 milhões de unidades do minicachorro-quente. A produção nessa escala ajuda a manter o preço baixo, a 0,72 centavos a unidade. Agora, Márcia está comandando uma fase importante para o desenvolvimento da Degusttares. A empresa começa a abrir espaço no varejo, vendendo pacotes de Totosinho resfriado nas unidades gaúchas dos supermercados Zaffari e Wal-Mart e nas lojas de conveniência dos postos Ipiranga. No ano passado, Márcia tomou uma decisão muito importante, que pode definir o futuro da companhia e até onde ela pode ir: vender uma parte da empresa para conseguir capital e crescer mais rápido. "A marca Totosinho tem potencial para atingir o Brasil", diz o empresário Maurício Sirotsky Neto, que adquiriu 70% da Degusttares.
L.A.

 


A idéia que aparece
Ao fazer uma simples tentativa
"Explorar é da essência humana"
Frank Borman - astronauta americano
O empresário Rogério Gabriel, de 43 anos, encontrou nas reclamações dos clientes a inspiração que o levou a criar a Prepara Cursos, empresa que faturou 6 milhões de reais no ano passado com cursos de informática em cidades pequenas do interior paulista. Ele era dono de uma loja de informática em São José do Rio Preto, onde entrava todo tipo de gente -- estudantes em busca de um computador para fazer trabalhos escolares, pequenos empresários atrás de equipamentos, donas de casa que gostariam de ter como pesquisar receitas na internet. Gabriel cansou de ouvir dos clientes um tipo de queixa freqüente -- eles não sabiam usar todos os recursos das máquinas que compravam. "Nas reclamações podia estar a melhor oportunidade da minha vida", diz Gabriel. "Parecia uma oportunidade muito mais promissora do que a revenda de computadores, e era preciso tentar." Ele fechou a revenda e passou a se dedicar integralmente aos cursos. Pensando sobre os motivos que o haviam levado a acreditar na Prepara Cursos, Gabriel achou que as reclamações eram freqüentes porque nas cidades pequenas de onde vinham muitos de seus clientes a oferta de cursos era escassa. Estava desenhada a estratégia para, enfim, poder crescer -- estabelecer-se apenas fora das capitais. Desde então, a nova empresa dobra de tamanho a cada ano, abrindo perspectivas mais amplas do que as do passado. Como pequeno comerciante, ele enfrentava a concorrência dos grandes magazines, que passaram a vender produtos de informática a preços muito mais competitivos. Hoje a Prepara Cursos já tem escolas em 45 cidades do interior paulista. Exceto São José do Rio Preto, todas estão em municípios com menos de 70 000 habitantes. "Estamos crescendo com a força do interior", diz ele.
Carla Aranha

 


A idéia que aparece
Ao achar onde esta a origem do problema
"De erro em erro se descobre toda a verdade"
Sigmund Freud - austríaco, pai da psicanálise
Ao criar a Hot Line, em 1997, fabricante de tintas especiais para ruas e estradas, a empresária Áurea Rangel, de 37 anos, tinha, como tantos outros empreendedores, uma convicção -- bom vendedor é aquele que corre para mostrar a cara ao maior número possível de clientes. Toda semana, ela exigia que sua equipe de vendas se desdobrasse para cumprir uma agenda com dezenas de visitas a secretários municipais e seus subordinados, os principais responsáveis pelas compras das tintas da Hot Line, usadas para pintar faixas para pedestres. Levou três anos até que ela percebesse que aquela era a forma errada de vender. "As visitas eram muito rápidas e terminavam antes que pudéssemos esgotar as dúvidas que os responsáveis pelas compras tinham sobre nossos produtos", afirma Áurea. Às vezes era preciso voltar ao mesmo cliente até seis vezes para que um negócio fosse enfim fechado.


Essa demora se refletia na receita da empresa, que crescia a taxas inferiores a 10% ao ano. Inconformada, Áurea foi à luta e tentou vender seu produto ela mesma, numa entrevista com um secretário municipal de uma cidade do interior de São Paulo. Foi quando achou a origem do problema. "Finalmente entendi que eles não eram especialistas no assunto e que visitas e telefonemas não eram o bastante", afirma. "Era preciso apresentar de forma didática as vantagens do meu produto." Em vez das visitinhas rápidas e pouco eficientes, os 40 vendedores da Hot Line foram orientados a fazer apresentações e demonstrações práticas para secretários e funcionários de secretarias municipais de Trânsito. Nessas visitas, eles falam da composição do produto e mostram os resultados da tinta pintando lombadas e faixas. A produtividade dos vendedores aumentou. Desde que alterou a forma de se relacionar com os clientes, a Hot Line fez cair de seis para duas as visitas necessárias para concretizar uma venda. Para estreitar a proximidade com as pessoas que decidem a compra de seus produtos, a empresa também passou a organizar três vezes ao ano eventos nos quais os representantes das prefeituras ouvem especialistas em temas como educação no trânsito e aprendem práticas capazes de reduzir o número de acidentes. Nessas ocasiões, eles participam de palestras sobre os produtos da empresa. "Em um único evento, conseguimos reunir funcionários de mais de 150 cidades", diz Áurea.
L.A.

 


A idéia que aparece
Do poder da observação
"A natureza não faz nada que não tenha utilidade"
Aristóteles - pensador grego
O empresário cearense Francisco Baltazar Neto, de 50 anos, desenvolveu a Fotosensores em 1994 inspirado na observação da natureza. A companhia opera radares de trânsito e encaminha as informações por eles detectadas aos órgãos públicos responsáveis de cada cidade. A Fotosensores fatura cerca de 40 milhões de reais, vem crescendo 25% ao ano e está em rodovias federais de todos os estados do Brasil, além de atender a cidades como Recife, São Luís e Florianópolis. A motivação para que o empreendedor desenvolvesse uma empresa como essa surgiu de uma comparação com uma colméia de abelhas. Antes da Fotosensores, Baltazar tinha outro negócio, de montagem industrial, e não estava nada satisfeito com ele. "Eu precisava ralhar com funcionários e acompanhar de perto todas as etapas", diz o empresário. O auge da irritação ocorreu quando seus funcionários entraram em greve durante a construção de uma fábrica no interior da Paraíba. Nessa hora, diante do canteiro de obras deserto, furioso, a idéia das abelhas lhe veio à cabeça. "Lembrei-me das colméias que eu tinha observado na minha infância", diz Baltazar.


Quando criança, morava no interior do Ceará, com os pais e dez irmãos. A apicultura era uma atividade importante no local e Baltazar lembra que chegou a cuidar de suas próprias colméias e até vender mel. Ele sempre ficava admirado com o modo como as abelhas trabalhavam sincronizadas, sem necessidade de nenhuma interferência. "Naquele instante, percebi que queria uma empresa que funcionasse exatamente como uma colméia. As coisas tinham de rodar sozinhas", diz. Tendo em mente o tipo de empresa que queria, Baltazar começou a correr atrás de uma idéia de negócio que funcionasse como uma colméia. Depois de procurar em vários lugares, descobriu uma tese de mestrado na Universidade Federal do Ceará que analisava a possibilidade de instalação de radares em semáforos. A tese estava em estudos na incubadora da universidade. "Comprei o projeto imediatamente", diz. Baltazar começou a empresa dentro de sua companhia de montagem industrial. Vendeu metade do primeiro negócio para se dedicar integralmente à Fotosensores. "Achei o modelo perfeito para a minha idéia", diz. "Como as colméias, as câmeras trabalham 24 horas por dia e não necessitam de instruções. Tudo o que preciso é colher o mel."

Luciana Barreto.

Fonte: Portal Exame.

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