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Dicas de Gestão Comercial

04/02/2009 - 08h55

Empreender sempre

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Micro e pequenas empresas, no Brasil, geralmente são empresas familiares. São de propriedade e administradas pelos membros de uma mesma família. Sua operação costuma ocupar todo o tempo das pessoas, exigindo dedicação exclusiva. Também é normal que a renda delas venha exclusivamente da empresa familiar. Aí é que mora o perigo. Na pequena empresa é comum confundir a necessidade familiar de renda com a possibilidade de remuneração às pessoas que nela trabalham; duas coisas completamente diferentes. O fato da família se dedicar à operação da empresa não significa que a empresa conseguirá sustentar a família.

A empresa poderá apenas gerar recursos compatíveis com a natureza do negócio, ou com o investimento realizado. Isto porque uma empresa gera dois tipos de recursos para os proprietários:

1. Salários para os membros da família que forem empregados da empresa e pró-labore para os sócios que trabalharem nela.

2. Lucro a ser distribuído aos sócios, após apuração do resultado.

Pois bem, os salários nunca deverão, necessariamente, ser superiores àqueles que se pagaria aos empregados, não-familiares, na mesma função. Além disso, a empresa não deve ser utilizada para empregar familiares em trabalhos desnecessários. Da mesma forma, o pró-labore é o pagamento que o dono ou sócio recebe por trabalhar na empresa. Se esse não trabalhar não deverá recebê-lo. Para aquele que se dedicar à empresa o valor do mesmo não deve ser superior ao que seria pago a um funcionário na mesma posição.

Exemplo: A empresa tem dois sócios. Cada um retira mensalmente R$1.000,00 como pró-labore. Mensalmente a empresa gera lucro de R$3.000,00 que é distribuído em partes iguais de R$1.500,00. Assim, cada sócio recebe da empresa um total de R$2.500,00, ou seja, R$1000,00 de pró-labore mais R$1.500,00 de lucro distribuído. Se estes sócios tiverem despesas familiares superiores a R$4.000,00 cada um, de onde eles completarão a necessidade pessoal de renda? Com certeza não poderá ser da empresa, pois se retirarem dela mais dinheiro esta se tornará inviável. Alguma conta não será paga. Pode ser que no dia-a-dia isto não seja percebido, se for intenso o fluxo de entrada de dinheiro com as vendas e saída de dinheiro com pagamento de contas. Mas é assim que surge o tal "rombo" nas contas. Esta prática leva em poucos dias à geração de dívidas sem condição de serem saldadas.

Os sócios não podem dizer que pelo fato de se dedicarem todo tempo à empresa, esta tenha de suprir a renda desejada de cada um. Não é assim que funciona. Cada empresa e cada investimento têm um limite de geração de recursos. Mesmo não suprindo a necessidade de renda dos sócios pode ser ainda um bom negócio.

Dois erros são largamente cometidos: primeiro o de retirar da empresa o que se precisa sendo mais do que ela pode contribuir; segundo, montar um pequeno negócio e se acomodar nele. Afinal, pequeno empresário é somente uma expressão, que, de fato, não existe. Existe empresário de pequena empresa. A empresa pode ser pequena, mas o empresário precisa pensar grande, ousar, e ter mais do que um pequeno negócio. Crescer. Empreender sempre.

Antonio Carlos de Matos
Consultor - SEBRAE-SP

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