09/01/2012 - 08h30
Um olhar subjetivo para inovar paradigmas
A+
A-
Altera o tamanho da letra
Teria Steve Jobs quebrado os paradigmas que quebrou e inovado em todas as frentes dentro da Apple se tivesse sido diretor de inovação da empresa? É com essa e outras perguntas que Carlos Bremer, diretor de inovação da Axia Value Chain, questiona os paradigmas da inovação.
"Quebrar paradigmas é fácil, difÃcil é substituÃ-los ou transformá-los", defende ele. Bremer comenta a respeito do paradigma de pensamento ao qual estamos todos sujeitos: o da busca de metas. Desde o começo dos estudos, diz ele, o ser humano está sujeito a cumprir metas e medir seus resultados, pois aquilo que não pode ser comprovado simplesmente não é válido.
Esses valores e paradigmas nos levam a enxergar as coisas de um modo departamental e Bremer afirma que, muitas vezes, isso priva as pessoas da possibilidade de observar o todo. O sistema de ensino e a organização tradicional sempre nos leva a pensar individualmente, em atingir as próprias metas e realizar a própria função, o que por vezes compromete a realização do todo.
O olhar subjetivo
Bremer não propõe descartar o sistema de metas e medição. "Sempre vamos precisar medir resultados", explica, mas sim a integração com um olhar subjetivo, fora do paradigma, que discuta problemas propostas quando a abordagem racional se mostra insuficiente para sua resolução. A própria fÃsica, criada em cima do método, usa da fÃsica quântica, uma área completamente subjetiva, que explica tudo aquilo que não possui comprovação".
O pensamento racional inibe, de certo modo, discussões e resoluções de problemas interdepartamentais. Pensando de modo racional e baseado em metas e funções, Bremer afirma que a discussão entre departamentos permanece algo informal, a menos que as empresas permitam ao colaborador um olhar mais subjetivo, que não se limite à função e metas às quais está sujeito.
Um ciclo paralelo
O executivo da Axia propõe a inserção de um ciclo paralelo ao tradicional PDCA (do inglês "plan/check/act", do inglês Planeje / Confira / Aja), mais subjetivo e qualitativo, que possa gerar conhecimento durante seu funcionamento e, consequentemente, novos propósitos para as corporações.
Nesse ciclo paralelo, que também passa por quatro estágios, Bremer insere as seguintes etapas, as quais complementam os passos do PDCA:
Propósito: quando se estabelece um plano, há também por parte do RH de uma empresa a criação de uma polÃtica de incentivos para realização do mesmo, o que transforma a execução do plano em uma relação de troca. Bremer propõe a explicação de qual é o propósito do plano, convidando as pessoas para discuti-lo e gerando engajamento;
Contexto: a partir da definição de um propósito, o executivo propõe levar o mesmo ao contexto onde esse será aplicado. Pessoas e ambientes diferentes geram distintos resultados para um mesmo plano;
Relacionamento: uma vez compreendido o contexto, Bremer aconselha a expansão do propósito, submetendo o mesmo a toda uma rede e criando laços de relacionamento;
Conhecimento: com a disseminação de um propósito em uma rede, mediante determinado contexto, há a geração de conhecimento, o qual segundo Bremer validará ou invalidará o seu plano, atingindo seu propósito ou muitas vezes criando um novo, o qual será novamente submetido ao ciclo, levando à práticas inovadoras.
Fonte: HSM