28/11/2011 - 09h06
Bombardeio: dinheiro na lata do lixo
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Por Marcos Hiller
Estudos de uma tal de Universidade de Harvard constataram que cerca de 1500 mensagens publicitárias tentam impactar um consumidor em um dia, sejam spots de rádio, outdoors, anúncios televisivos, pop-ups que a gente fecha em segundos, etc.
Destas 1500 mensagens, o consumidor é atingido apenas com 80, e realmente lê e presta atenção em 15. Essa quebra realmente impressiona e ratifica que existe hoje existe um verdadeiro bombardeio de mensagens em nós consumidores.
E não é preciso muita capacidade técnica para chegarmos a uma conclusão óbvia: uma pessoa normal simplesmente não consegue decodificar tamanho volume de informação. A nossa capacidade de absorção é limitada e cabe aos bem pagos profissionais que planejam essas mensagens o dever de minimizar esse desperdÃcio de esforço e de dinheiro. Sim, o resultado disso é dinheiro na lata de lixo.
O fato é que existe hoje uma nova e irreversÃvel ordem no mundo da comunicação de marketing, mais precisamente no modelo clássico de comunicação, antes era uma via de mão única, ou seja, emissor emitindo uma mensagem a um receptor, e agora esse receptor não é mais um mero receptor, ele não só reduziu sua capacidade de recepção como também se transformou em um emissor com as mesmas prerrogativas de emissor clássico.
Com a avassaladora revolução tecnológica que presenciamos hoje, o nosso antigo receptor agora produz informação, gera conteúdo, planeja mensagens, canais, freqüência, produz buzz (podemos citar aqui o emblemático caso do Sr. Borelli com a sua Brastemp).
Os planejadores de comunicação devem levar em consideração essa nova dinâmica, e mais que isso, onde já se exigia grandes esforços, nesse novo cenário, os esforços agora devem ser ainda mais precisos. A convergência de mÃdias, a portabilidade e a mobilidade são novos elementos que protagonizam o atual momento de mercado, e ter métricas de avaliação claras e bem desenhadas torna-se uma das etapas mais fundamentais do nosso universo midiático.
Na prática, o que se evidencia são profissionais da criação forçados por seus clientes a calibrar seu esforço criativo de acordo com um orçamento pré-determinado, uma inédita saturação de mensagens que implica na não-decodificação do receptor, e principalmente, uma descrença geral dos consumidores em relação a meios tradicionais de comunicação.
A gente fica com a clara sensação de que estão tentando nos bombardear com algo. Percebe-se no universo da comunicação o uso de formas muito previsÃveis e pragmáticas para se conectar ao consumidor, e nesse contexto, chegar a uma big idea torna-se uma tarefa cada vez mais complexa. Conclusão: joga a palavra "Cannes Lions" no YouTube e inspire-se!
Fonte: Administradores