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21/11/2011 - 07h38

Empresas chatas

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Por José Eduardo Costa

Por que as empresas se tornaram ambientes tão chatos para trabalhar?

Essa é uma pergunta que tenho ouvido com certa frequência de profissionais de várias idades, de altos executivos a gerentes. Um executivo de 60 anos, empreendedor que vendeu sua empresa de tecnologia para um grande banco e foi trabalhar no banco como líder da área de crédito, diz que está insuportável trabalhar numa grande corporação hoje.

"O alto escalão está apenas interessado na manutenção do status quo. Não quer inovar, não quer tomar risco, não quer melhorar. Fazem o suficiente para garantir seus bônus." Segundo esse executivo, o ambiente de negócios no Brasil dos anos 80 e 90 era bem mais estimulante.

"Você era obrigado a ser arrojado. Era isso ou fechar a portinha da empresa." O mesmo executivo pediu demissão e teve de deixar na mesa de negociação parte das ações a que teria direito ao fim de cinco anos. Como ele rompeu o contrato no terceiro ano, perdeu o direito de exercício das ações.

Outro jovem executivo de uma empresa de logística que encontrei dia desses no Insper, escola de economia e administração de São Paulo, afirma estar cansado do jogo político das grandes empresas.

Segundo ele, gasta-se mais energia no mise-en-scène do que buscando soluções que vão levar o negócio ao próximo ciclo de prosperidade. O jovem profissional está na escola buscando novos conhecimento para em breve dizer adeus ao atual empregador. No último fim de semana participei de um evento no Hub São Paulo.

O Hub é um espaço de profissionais autonomos, das mais variadas áreas de formação, que prestam serviço para organizações de diversos portes. Grande parte desses profissionais qualificados já passou por grandes corporações. Nenhum deles, aspira voltar ao mundo corporativo. Uma frase que ouvi lá de um jovem profissional de TI, ex-trainee de uma empresa de bens de consumo: "As empresas são ambientes pobres de aprendizado. Hoje tem mais gente fazendo coisa mais legal aqui fora"

O executivo sênior deixou a empresa. O mais jovem está se preparando para trocar de companhia. O ex-trainee que conheci no Hub nem considera a possibilidade de voltar a trabalhar numa corporação. Todos se queixam do ambiente de trabalho. Um email que recebi essa semana dá outro exemplo de como as coisas vão mal nas grandes organizações.

Quem escreve é o analista de redes Walter Marcelo, profissional capacitado com passagem por empresas como Telefônica, Eletrobrás, Siemens e Embratel. Walter desistiu de participar do processo de seleção na última etapa do recrutamento, pois julgou a empresa inapropriada diante do que ele viu lá. Ele lista os motivos abaixo:

- Gestor não sabia para qual vaga estava fazendo a entrevista
- Gestor relatou problemas de relacionamento com a equipe, mostrando uma equipe dividida entre operadores e analistas
- A vaga anunciada era para analista pleno e no fim a avaliação era para analista júnior

Ao fazer essas observações para o RH, Walter relata ter recebido a seguinte resposta: "Ali é a porta de saída. Você já esteve aqui antes, sabe onde é a portaria." Como você definiria o ambiente de trabalho da empresa para a qual Walter estava sendo recrutado?

Fonte: Blog Conversa de Corredor, em Você S/A
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