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16/11/2011 - 08h56

Duvide de quem tem certeza

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Por Antonio Lazarini

Havia um pai que sempre dizia a seu jovem filho: "Teime, mas não aposte." Naquela idade ele não compreendia muito bem o que seu pai queria dizer. Achava que estava insinuando que ele, por ser jovem, não sabia do que falava, que era uma pessoa sem 
conhecimento a respeito daquilo que estava em discussão. Isto o deixava muito desapontado. Hoje, mais velho, ele compreende o que seu pai queria dizer.

De fato, existe um grande número de pessoas que são muito seguras de suas ideias e atitudes e costumam fazer afirmações com tamanha segurança e certeza, que fariam inveja ao melhor jogador de pôquer.

Este é um grande problema, pois estas pessoas têm tanta convicção do que afirmam, que não deixam a menor possibilidade de busca por alternativas novas ou diferentes e que, por vezes, podem até parecer fora de propósito.

Pessoas com este tipo de comportamento presunçoso e ditatorial colocam limites onde, na maioria das vezes, estes não existem. E quando estabelecemos limites estamos dizendo que não há mais nada que possa ser feito, que não há possibilidade de novas alternativas. E nada é mais perigoso e danoso do que eliminar qualquer oportunidade de testar novas abordagens, novas formas de se ver uma questão, de se 
descobrir novas maneiras de se fazer as coisas, de avançar, de explorar diferentes alternativas. Esta postura nos coloca em uma posição de estagnação e de imobilismo. E podemos imaginar quão perigosa, e até desastrosa, esta postura pode ser.

Devemos deixar que o limite seja colocado pela própria condição com que se está lidando, pois se ele existe, logo ficará claro, mas não antes de ser severamente desafiado e testado.

O grande dramaturgo escocês, George Bernard Shaw, tem uma frase célebre e muito verdadeira: "Todo homem razoável adapta-se ao mundo. Todo homem desarrazoado tenta adaptar o mundo a si próprio. Portanto, todo progresso depende do homem desarrazoado".

Dentre as pessoas que fazem sucesso, certamente há uma grande parcela daquelas que são inconformadas e estão o tempo todo desafiando aquilo que é considerado como certo, definitivo, imutável.

Claro que muitas vezes elas sofrem reveses, mas, vez por outra, chegam a soluções criativas e inovadoras, o que lhes confere a condição de pessoas diferenciadas, colocando suas carreiras e empresas em um merecido lugar de destaque.

Como podemos ver, quem tem muita certeza do que fala passa uma ideia de que sabe muito, é seguro e tem posição claramente definida sobre todos os assuntos.

Estas pessoas são quem mais contribuem para o conformismo, a paralisia e a fossilização. Já quem não tem muita convicção dos fatos, tem dúvida, sempre abrirá oportunidade para contestar o status quo e, como consequência, tornará possível o crescimento e o avanço da sociedade como um todo.

Portanto, o que o pai do jovem lhe dizia era que teimar significa insistir, ser perseverante, duvidar, desafiar, enquanto que apostar é ter muita certeza, e ter muita certeza pode nos custar caro. É só teimar, apostar e ver.

Fonte: Blog Gestão de Gente, em Exame.com
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