09/09/2011 - 10h02
O poder do grupo sem poder, por John Kotter
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Outro ataque ao mito do executivo-chefe vem de um dos principais gurus da administração: John Kotter, professor da Harvard Business School e autor de 11 best-sellers sobre gestão.
Em um recente vÃdeo postado em seu blog na revista Forbes, Kotter defende um tipo diferente de liderança - a coalizão dirigente.
Ele afirma que, ao longo de 20 anos de experiência, sempre detectou esse tipo de equipe por trás de bem-sucedidas mudanças em larga escala. A princÃpio, não há fórmulas fixas para essa coalizão: membros, objetivos comuns e nÃveis de confiança variam de empresa para empresa.
Muitas vezes o núcleo inicial nasce com apenas duas pessoas e rapidamente se expande para 25 ou 30, distribuÃdas em vários departamentos e escalas de hierarquia. Segundo Kotter, esses membros não devem ser escolhidos de cima para baixo, mas recrutados entre voluntários com grande comprometimento.
Kotter optou pelo termo "coalizão" por não se tratar de uma equipe "natural", obediente aos parâmetros tradicionais de organização. Forma-se de maneira espontânea, sem preocupação com organogramas, por pessoas com diferentes nÃveis de informação - que, combinadas, facilitam a abordagem de problemas fundamentais.
Quais as próximas iniciativas? Como derrubar barreiras que impedem ações? Como obter pequenas vitórias aqui e ali? Para Kotter, um grupo expandido e diversificado se transforma numa máquina mais eficiente para processar informações e realizar ações. Quanto mais esta equipe combinar habilidades de liderança (e não só de gestão), credibilidade entre funcionários e desejo firme de concretizar planos, maior será a possibilidade de sucesso.
Outro conceito-chave da coalizão dirigente de Kotter é o de "conexões" - relacionamentos não só nos limites da empresa, mas em todo o mundo. Isso agrega diferentes nÃveis de experiência ou conhecimento, da engenharia ao marketing, e assim por diante.
Essa aliança, diz Kotter, pode ser muito mais poderosa do que um comitê executivo ou uma força-tarefa montados quando se necessita operar grandes mudanças. Mas as coalizões dirigentes ainda são raras, por uma razão básica: esse conceito não faz parte da formação dos executivos e a mentalidade dominante ainda enfatiza a verticalidade e a individualidade da liderança.
O resultado do apego a métodos do passado, porém, se revela desanimador: analisando centenas de empresas participantes de programas de Qualidade Total de Gestão, consultorias como Arthur D. Little e McKinsey constataram que dois terços não atingem as metas.
E esforços de reengenharia fracassam em 70% dos casos. Para Kotter, o fracasso advém da falta de visão e de senso de urgência, de deficiências na comunicação de metas, da incapacidade de conquistar pequenos avanços e da dificuldade de implantar uma mentalidade de mudança.
Fonte: Época Negócios