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28/07/2008 - 15h37

O segredo está no equilíbrio

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Autor do livro "O sucesso está no equilíbrio", Robert Wong fala como dividir o tempo e ser feliz com a carreira em crescimento e a vida pessoal

Por Raquel Kuhn

Carreira, família, saúde e lazer. Em um ambiente corporativo cada vez mais competitivo, equilibrar a vida pessoal com a profissional não tem sido tarefa fácil para grande parte dos executivos. Ultimamente este tem sido um dos grandes desafios deste mundo, segundo Robert Wong, sócio da Robert Wong Consultoria Executiva e autor do livro "O sucesso Está no Equilíbrio".

Para ele, é importante que cada pessoa comande o seu mundo, e não permita que as pessoas se deixem ser comandadas. "Desta forma, a produção será maior, e de forma contínua e sustentável". A competição, natural neste mundo, só é aceitável quando a competência do próprio é colocada em jogo. "O profissional deve querer atingir a sua excelência, e não ser o melhor".

Não deixar que a sobrecarga no trabalho se torne um vício é outro fator preocupante entre os executivos. "Para não virar workaholic, é preciso ter muito equilíbrio", disse Wong. Afinal, tudo que é demais, assim como trabalhar, traz sérias conseqüências. "Comer demais o torna um glutão. Exercitar demais causa danos à saúde. E assim por diante", exemplificou.

Grande preocupação no universo feminino, mais do que conciliar maternidade com carreira, é saber o momento ideal de isso acontecer, principalmente para não afetar as empresas. "É vantajosa a decisão mútua, pois colaboradora satisfeita e apoiada é mais leal e produtiva". A profissional, porém, tem que planejar com antecipação para não pegar ninguém de surpresa.

Algumas empresas exigem atenção e dedicação em tempo integral dos funcionários, e por isso, o "não" às vezes parece tarefa impossível para os colaboradores. Wong ressaltou que é preciso, porém, que isto aconteça antes que a situação se torne insustentável. "Ou seja, agora. O amanhã está sempre um dia adiantado e pode ser tarde demais".

ENTREVISTA

- Falando um pouco sobre seu livro, o que o estimulou a abordar o tema "equilíbrio"?
De certa forma, eu era um "desequilibrado". Trabalhei demais, viajei demais, mudei de cidade demais e fiz outras coisas de menos. Em outras palavras, exagerei e vi que, efetivamente, o sucesso não é ser, estar e ter mais do que o necessário. Aprendi com o ditado: Instead of working harder, work smarter! (Ao invés de trabalhar mais, trabalhe feliz)"

- Como está o mundo corporativo atual?
O mundo corporativo é o mundo corporativo. Não é nada mais que o reflexo das pessoas que nele convivem e atuam. Portanto, a questão não é o mundo corporativo, e sim a pessoa corporativa.
Tudo tem seu preço. Se você quiser ser um CEO você paga o preço. Se você não quiser ser um CEO, você também paga o preço.

- O que falta para os executivos conquistarem o equilíbrio necessário?
As pessoas têm que entender que tudo tem seu preço e, portanto, as decisões devem ser tomadas com tal ciência. A questão é avaliar se está disposta ou não a pagar por isso.
O ideal é procura o equilíbrio no lazer, religião, família, amigos ...

- Existe uma causa cultural nas organizações?
A cultura organizacional tem certamente seu peso. No Ocidente, por exemplo, a cultura é voltada para os direitos – direitos humanos, da mulher, da criança, do trabalhador – enquanto no Oriente a cultura é para os deveres – dever com o próximo, dever para o Estado, dever para empresa, dever familiar.

- E então, significa que isso influencia o ambiente?
Não só o ambiente como os resultados, a própria pessoa, o comprometimento e especialmente os relacionamentos. Devemos lembrar que o "dever" deveria preceder os "direitos", pois até no dicionário é assim.

- O autoconhecimento seria o segredo do sucesso?
O autoconhecimento é o conhecimento mais fundamental que cada indivíduo deveria buscar. É sim o segredo do sucesso, pois é onde cada um vai descobrir seu verdadeiro ser.
Esse sentimento traz consigo a autoconfiança, e conseqüentemente a liberdade, que defino como o direito de ser quem você é.

- Se você pudesse dar um conselho a cada novo profissional, o que diria?
Procure conhecer-se e assim você poderá sua verdadeira "vocação", palavra que vem do verbo latim "vocare" que quer dizer "seu chamado, sua voz interna". E seja o melhor "VOCÊ" que você possa ser, pois antes de tentar ser extraordinário, comece por ser ex-ordinário.

Fonte: Site Revista Você RH.

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