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02/03/2011 - 09h15

Homens são de Marte, mulheres são de Vênus e os decisores são de Lua

Por que o mercado de trabalho ainda favorece mais o homem em termos de remuneração? Eduardo Zugaib faz uma análise sob o ponto de vista do desenvolvimento pessoal. Confira!

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Por Eduardo Zugaib

Em pleno ano de 2011, a predominância masculina no mercado de trabalho e as diferenças salariais entre homens e mulheres para uma mesma função ainda são significativas. A confirmação veio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em estudo realizado em dezembro de 2010.

Segundo o IPEA, da massa salarial das principais regiões metropolitanas, somente 40% corresponde à participação feminina. Homens ainda são mais promovidos do que as mulheres, que ainda recebem salários menores no desempenho de funções iguais.
Há razões, do ponto de vista do desenvolvimento pessoal, para tal diferenciação? Não e sim.

Por que o não? Porque tal disparidade ainda deve-se aos estereótipos de gênero e aos fatores culturais que decorrem deles.


Como o homem chegou antes ao "mercado de trabalho", acabou relegando funções de menor valor à mulher quando ela passou a trabalhar fora. O antigo modelo, que nos acompanha desde os primórdios, se repetiu por longos anos.

O homem saía à caça pela manhã, voltando apenas ao escurecer, enquanto a mulher permanecia na caverna cuidando da prole. Com o passar dos anos, este modelo apenas foi trocando de roupa e de linguagem, até enfrentar o início de sua ruptura no século passado, quando a mulher passou a "invadir" terrenos culturalmente masculinos.


Num exemplo familiar, soube que meu avô ficou algumas semanas brigando com minha mãe, quando ela optou por estudar e trabalhar fora, desafiando o senso comum que, à época, ordenava que "mulher não precisava desenvolver-se cultural nem socialmente, já que seu lugar era em casa".


A chegada de Dilma Roussef à presidência reaquece a discussão quanto às competências de homens e mulheres, e até onde as diferenças que existem ajudam ou atrapalham.

Ter a posição de maior destaque político do país ocupada por uma mulher, além da clara emblemática de novos tempos, demonstra que, na guerra dos sexos, sairá na frente quem optar por trabalhar a coexistência, o colaboracionismo e a integração, estimulando o melhor que cada gênero pode oferecer.


Homens e mulheres assimilam crenças, sofrem e promovem mudanças. São criativos e inovadores e, em equipe, se complementam. Se os homens focam nos resultados, as mulheres influenciam processos.


Enquanto o homem não perde o objetivo de vista, a mulher cria e identifica novos caminhos para o mesmo. Se os homens são de marketing, as mulheres são de vendas.

Visão focada e visão sistêmica são fatores que promovem resultados melhores em sinergia do que quando seus produtos são somados individualmente.


E por que o sim? Toda mudança é gradativa. Ano a ano, nota-se a diminuição na diferença. Podemos dizer que ainda estamos no meio dessa transição cultural e é aí que entra a resposta positiva sob o ponto de vista do desenvolvimento humano.


Processos de mudança sempre são mais rápidos quando encontram força na opinião de quem decide: diretores, empresários, gestores de pessoas, enfim, todos aqueles cujas decisões ainda podem estar reforçando a crença nas diferenças, não na complementaridade.


Quem mais deveria trabalhar pelo desenvolvimento e alinhamento contemporâneo de seus liderados, ainda são os mesmos que tomam as decisões que reafirmam a diferença salarial e de oportunidades.


Logo, quem vive de tomar decisões que impactam o desenvolvimento das pessoas, também precisa se desenvolver e se posicionar nesse sentido, honrando o discurso com a credibilidade de suas ações.


Por uma questão de inteligência, as empresas precisam tornar-se isonômicas para ambos os sexos. Aos céticos, vale lembrar que o jogador brasileiro de futebol com maior reconhecimento no exterior tem sido, nos últimos cinco anos, uma jogadora: Marta.


Yin e Yang, negativo e positivo, razão e emoção, luz e sombra, feminino e masculino são fatores que, isolados, não fazem qualquer sentido. Precisam coexistir. Quando se neutralizam, perdem a utilidade.


Fonte: HSM
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