10/01/2011 - 09h32
Ofereça uma causa, não empregos
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Por César Souza
Nenhum tema simboliza melhor a necessidade de um novo paradigma para o mundo dos negócios do que o velho e surrado conceito sobre Liderança. Você já deve ter se atormentado com questões sobre qual o melhor estilo do lÃder. Se a liderança é inata, ou se o lÃder pode ser formado. Enfim, qual o perfil do lÃder ideal?
Dentre tantas dúvidas, uma certeza parece recorrente: as empresas vencedoras serão aquelas que souberem montar verdadeiras fábricas de lÃderes. Terão de fabricar não apenas produtos de qualidade, mas principalmente lÃderes de qualidade!
Mas, como fazê-lo?
Assim como os times de futebol têm dificuldade em manter seus melhores jogadores, as empresas também estão tendo dificuldade reter talentos. Uma das razões é que esses possuem valores e atitudes muito diferentes sobre o trabalho e sobre a vida em geral.
Aqueles que despontam nas posições de linha de frente das empresas defronta-se com um mundo mais volátil. Isso não é apenas fruto da globalização e dos avanços tecnológicos. A volatilidade reside principalmente no sistema de valores.
Sua autoridade para liderar não será mais proveniente do cargo que você ocupa, nem do seu poder de manipular informações. Na era eletrônica, as pessoas podem saber em tempo real o que está ocorrendo, o que está sendo decidido. São transformações que alteram profundamente o exercÃcio da liderança.
Liderar quando se está de posse exclusiva de informações importantes é uma coisa. Liderar quando todos sabem de tudo ao mesmo tempo é muito mais complicado.
As pessoas tendem a se identificar cada vez menos com qualquer empresa especÃfica. Pensam mais como profissionais independentes e sabem que podem se mover com uma velocidade proporcional ao seu talento - quando não se sentem felizes onde estão. A lealdade será cada vez mais à própria carreira. E à s causas nas quais acredita. Não mais ao chefe nem à empresa como no passado.
Você, para ser um lÃder eficaz, precisará oferecer causas, em vez de empregos. Precisará criar um ambiente de motivação profunda ao deixar claro o significado que transcende a tarefa, o trabalho, o job description das pessoas que o cercam. Trata-se de ir muito além de metas e objetivos para serem atingidos no ano em curso.
O papel do lÃder eficaz será o de estimular as pessoas a sentirem que fazem parte de algo nobre, muito além da simples troca do trabalho por remuneração. E a superar situações indesejadas ou inesperadas.
O lÃder eficaz oferece à s pessoas aquilo que mais desejam: uma bandeira, uma razão para suas vidas. Esclarece como objetivos e metas de curto prazo são fundamentais para a causa comum. Parte do princÃpio de que as pessoas comprometem-se emocionalmente com objetivos e metas quando entendem o porquê das ações.
Comunica constantemente a causa e a estratégia usando todos os meios possÃveis. Acredita que as pessoas estão dispostas a oferecer o melhor de si e até mesmo a fazer sacrifÃcios, desde que conheçam o Porquê.
Nietsche já dizia que "quando conhecemos o porque, suportamos o Como".
Luis Seabra (Natura), Eduardo Bom Angelo (Brasilprev), Ivan Zurita (Nestlé), Zilda Arns (Pastoral da Criança), Carlos Ghosn (Nissan), Thobias (Vai Vai) e o treinador da seleção brasileira de vôlei Bernardinho são exemplos de lÃderes brasileiros que sabem oferecer causas que transcendem as tarefas cotidianas e enobrecem a contribuição das pessoas.
Oferecer uma causa, uma bandeira, em vez de empregos é uma das marcas registradas dos lÃderes vencedores. Você tem de evitar de atuar no novo jogo da liderança usando as velhas regras da era do comando.
Isso está ficando tão fora de moda quanto o cartão de ponto, que foi útil nos tempos da economia industrial, quando a presença fÃsica era a forma de medir a produtividade das pessoas.
Fonte: Blog do LÃder, em Época Negócios