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15/12/2010 - 08h00

Você vai à festa de final de ano da sua empresa?

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Por Renato Ricci

Quando dezembro chega todos nós começamos a fazer um balanço do ano que se finda. Pensamos em nossas conquistas, dificuldades e nos obstáculos deixados para trás. O momento é positivo e o mesmo acontece nas empresas. Chega a hora de reunirmos nossa equipe para comemorar e planejar um próspero ano novo. As festas de final de ano são uma ótima arma de motivação. Será mesmo?


Festas corporativas sempre foram um ambiente de oportunidades. Muitas vezes é a única chance de alguns chegarem perto daquele famoso CEO ou VP. Grande chance de mostrar habilidades de comunicação, praticar um network, descobrir as últimas fofocas do ano. O evento presta-se para tudo.


Se você trabalha em uma empresa positiva provavelmente a festa de final de ano não tem lá grandes anseios, já que este tipo de organização está habituada a comemorar ao longo do ano seus sucessos. O final de ano passa a ser algo simbólico.


Agora se você trabalha em uma empresa onde a festa de final de ano é um evento social, tome cuidado. Um deslize pode significar uma marca negativa em sua imagem. Mas que tipo de deslizes podem ocorrer em um evento tão simples? Muitos, cito alguns.


O Mal Informado - ele começa a conversar com uma pessoa simpática e desconhecida, com sua comunicação perfeita, sempre domina a conversa. Em poucos minutos expõe todas as suas opiniões sobre as políticas adotadas na organização, claro, enfatizando todos os problemas e seus desafios. O seu novo "amigo" ouve tudo calado e com um certo ar de surpresa. Mais tarde ele descobre que seu ouvinte era uma pessoa muito importante ligada ao presidente.


O Negativo - ele consegue deixar sua marca em cada pequeno grupo em que passa. Não se esquece de nenhum pequeno fracasso do ano, erros, devoluções de produtos, contratos perdidos, demissões. Costuma causar um mal estar não intencional que cria um senso de repúdio das pessoas à sua volta. Vai sempre para casa sozinho.


O Falso Otimista - ele adora contar piadas, geralmente as mesmas de sempre, faz o perfil de amigo de todos, em cada assunto novo remete-se a uma situação cômica e pouco séria. Tem certeza que está agradando. Se associado à alguns drinques torna-se uma bomba relógio. Perde seu senso de risco e aproxima-se de qualquer um de forma "aberta" e muitas vezes inconveniente.


O Arrogante (ele é tão importante que fiz um post específico para homenageá-lo) - claro que ele tem um grupo seleto de pares. Geralmente eles repudiam qualquer ser "normal" que queira se intrometer em seu feudo. Possuem ótimo poder de exclusão. Para isso usam temas que os intrusos jamais poderão compartilhar - geralmente futilidades, lugares ou hobbies exóticos, falam em outras línguas ou usam expressões tiradas dos últimos exemplares da The Economist ou similar. Não bebem. Ao menos que o chefe beba. O sinal para se afastar deles: quando pegam o celular, mesmo que ele não tenha tocado, e dizem: Com licença tenho uma ligação importante para fazer…


O Possível Futuro Chefe - este é um dos participantes das festas de final de ano mais interessantes. Além de ter que bajular um monte de gente é bajulado pelos seus futuros súditos e também odiado por aqueles que não são seus afetos. O jogo de cintura tem que ser enorme, eu diria que ele pratica na mesma noite um pouco de cada um dos papéis citados aqui.


Mas ao final das contas tudo acaba bem. Amigos continuam amigos, inimigos conseguem mais argumentos para odiarem os outros, as disputas de ideias e posições são travadas, alguns vencem outros perdem. E a empresa?


Bem a empresa continua viva como sempre, e percebe-se que a festa de final de ano causou o mesmo impacto de sempre: NENHUM. O ano de 2011 não será melhor em virtude dela, nem os eventuais fracassos podem ser atribuídos a este pacífico acontecimento.


Portanto, se você vai ou não na festa de final de ano de sua empresa, entenda que nada no mundo mudará, pelo menos para aqueles que não ganham seu pão com este tipo de evento.


Fonte: Blog Gestão Positiva, em Exame.com
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