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09/12/2010 - 08h15

Como chatear clientes

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Por Nelson Gonçalves

Responda com sinceridade. Na sua empresa um cliente com dinheiro na mão e pronto para comprar, volta da porta por que chegou alguns minutos depois do horário de fechamento?

Se sua resposta for sim, alegre-se, você não está sozinho no mundo, e em algum momento da sua carreira "profissional" ou trajetória "empresarial", irá se juntar àqueles que, desempregados ou falidos, formarão as fileiras dos que não entenderam absolutamente nada sobre prestação de serviços, cordialidade e excelência. Ah! E que o cliente é o senhor do destino dos negócios.


Se a sua resposta for negativa, parabéns. Isso mostra que na sua empresa, o bom senso e o comprometimento com o cliente prevalecem sobre as convenções e as normas que ajudam a empresa a chatear clientes e perder negócios.


Óbvio que pra toda exceção existe regra!


Não me refiro aqui a alguém que chegue ao banco, meia hora depois do fechamento das portas e dos caixas, ou quem pretenda adentrar um shopping na esperança que o lojista reabra o estabelecimento para suprir a necessidade de um atrasado.

Até que seria bom, surpreendente, mas compreendo que os funcionários também são seres humanos e merecem descanso. Além do que, nesses casos, a regra é para toda a coletividade e implica, inclusive, questão de segurança.


Mas, de maneira geral, o que observo é a intolerância do prestador de serviço e na maioria dos casos, pasme! Com a conivência e concordância do gestor do negócio. Dia 6 de dezembro presenciei mais uma dessas pérolas de completa falta de absolutamente, como diria um velho amigo de letras.


Precisando despachar um documento para Londrina, no Paraná, me dirigi até a agência central dos Correios no bairro da Aldeota. O mais chic e caro de Fortaleza, capital do Ceará.

Trânsito caótico e espaços restritos para estacionamento, quase não chego a tempo de entrar na agência antes das badaladas das dezesete horas. Minha senha B 328 - que não faço a menor idéia do que significa a letra B - foi impressa as 16:59:09. Assim que passei pela porta de vidro o segurança terceirizado passou a chave na porta, e o pobre do cidadão que corria escada acima para tentar entrar na agência, deu, literalmente com a porta na cara!


Incrédulo, mostrou o relógio para guarda, gesticulou, clamou, implorou e nada! Esquecendo-se que estava diante de uma empresa pública, pediu ao guarda o telefone do gerente. O guarda, candidamente foi até uma mesa onde residia, confortavelmente sentada, uma funcionária com ares de coordenadora que anotou em um papelzinho o telefone do gerente e o prestativo guarda o entregou pela fresta da porta de vidro.


Do outro lado da loja o gerentão, Sr. Giovani (pode ser Giovane), observava a cena e sem o menor constrangimento, pela presença de vários clientes, comentava com a senhora sentada:

"Pode ligar. O cabra chega atrasado e ainda quer ter razão, oh!".

Tratando de desligar o computador, apanhar sua pasta e sair do posto depois de tão glorioso e dedicado dia de extenuante trabalho.
Não sem antes fazer mais um comentário com o vigia, aprovando a sua dignificante atitude.

Comentei - num tom suficientemente alto para o gerente ouvir - com meu amigo, Adalberto Machado, (dono de construtora) que, ao meu lado, presenciou todo o ocorrido.


"Ei Adalberto, se o cliente chegar ao estande de venda da construtora, meia hora atrasado, você deixa de vender um apartamento?"

Fonte: Administradores
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