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10/09/2010 - 09h10

Competência não é tudo

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Por Oscar Motomura

A "gestão por competências", que parece ser a bola da vez na busca por inovação nas organizações, deveria ser vista apenas como mais um insumo - muito básico - no conjunto de fatores que ajudam as organizações a chegarem ao futuro. Competência não é tudo. A "realidade real" nos dá evidências disso o tempo todo, como nos casos a seguir.


Numa grande multinacional, times bastante qualificados mantêm diálogos e debates extremamente inteligentes. Mas têm enorme dificuldade para decidir e assumir riscos. As coisas não acontecem e os resultados obviamente estão sendo afetados.

Em outra grande empresa, o problema está na atitude. As pessoas de seu quadro são muito competentes, mas parecem estar em estado crônico de mau humor, pessimismo e desânimo. Reclamam o tempo todo das turbulências no mercado e dos problemas internos, em vez de trabalhá-los criativa e estrategicamente. Os resultados estão declinando e as queixas continuam. Todos parecem presos num círculo vicioso.


Numa terceira empresa, a equipe é bastante qualificada, mas tudo é feito de forma mecânica e fria. A organização transpira eficiência, mas está consistentemente perdendo market share. As competências são usadas de modo muito previsível. Faltam criatividade, ousadia, vibração. Concorrentes "menos competentes", porém mais imaginativos, estão dando um banho.


O desafio maior em gestão não está na área de competências.
Há outros fatores sutis, que fazem enorme diferença.

Em outra grande organização, que cresce a dois dígitos, o time é formado por pessoas brilhantes... movidas a dinheiro. Metas e bônus estão na base de tudo. Até nas relações internas tudo é utilitário, guiado pelo "toma lá dá cá". Todos nesse time se consideram guerreiros profissionais, mas muitos ficam ofendidos quando alguém usa o termo "mercenário". Aos poucos, clientes estão se afastando. Querem algo mais. Querem empresas "não tão profissionais", que sejam capazes de demonstrar mais conexão, mais afetividade. Querem ser atendidos por pessoas que sirvam pelo prazer de serem úteis. Que - em essência - façam o bem pelo bem, mesmo em relações de negócios.


Numa outra multinacional, com pessoas "de alto padrão", a cultura é de "resultados a qualquer preço". A empresa bate recordes continuamente e os resultados são sempre crescentes. Mas há sinais de problemas no horizonte. Parte da equipe vem seguindo a premissa de que "os fins justificam os meios". Limites éticos estão sendo ultrapassados. Clientes comentam sobre "práticas não ortodoxas" e estão cada vez mais cautelosos ao fazer negócios com a empresa. Os números ainda estão bons. Mas algo parece estar começando a ruir nas entranhas da organização. Os responsáveis pela auditoria na empresa estão cada vez mais preocupados.


Competências são importantes, sim. Mas e todos esses outros fatores, mais sutis, que fazem enorme diferença na construção do futuro de toda organização? Estão também recebendo a atenção que merecem em sua organização?

Fonte: Época Negócios
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