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19/08/2010 - 09h33

É fácil ser confuso

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Por Pedro Mello

Acabei de editar mais um capitulo do livro Startup Brasil, que deve ser lançado em Novembro pela Ediouro. Confesso que tem sido uma experiência unica escrevê-lo. Por um lado, fiz grandes descobertas sobre os ingredientes necessários para produzir um mega empreendedor. Mas isso eu deixo para você descobrir no livro.

Por outro lado, tive uma descoberta sensacional sobre como podemos facilmente nos tornar incompreensíveis em uma simples conversa. Falo isso porque  no processo de confecção do livro gravamos em vídeo as entrevistas que fizemos com eles. Elas levaram em média duas horas e, depois, mandamos para serem transcritas em um documento de texto.

Quando recebemos esse material de volta e fomos trabalhar neles, tivemos essa descoberta reveladora. Aparentemente
há uma grande distância entre o ajuste que nosso cérebro faz para entender informações verbais das escritas.

Algo como sintonia grossa para verbal e fina para escrita. Na prática, entrevistas que nos pareceram absolutamente claras quando estávamos frente a frente com o entrevistado, algumas vezes deixaram dúvidas monstruosas na hora de editarmos o texto transcrito. Era como se estivéssemos com entrevistas de duas pessoas completamente diferentes.

Essa experiência me intrigou muito, pois apesar de você provavelmente achar que esses  empreendedores são confusos, eles não são. O fato é que parece que de alguma forma percebemos melhor, com uma riqueza de detalhes muito maior, a lógica de uma conversa quando ela está escrita. Algo que relevamos num bate papo (desde que não seja com um psicólogo ou psiquiatra… rs).

Depois de alguns capítulos onde esse padrão às vezes meio "confuso" continuou a se manifestar, passei a reparar na minha própria comunicação, e ai quase cai pra trás! Quando escrevo, tudo, ou quase tudo, tem começo, meio e fim.

Mas quando estou batendo um papo, muitas vezes me vejo começando num ponto, pulando para outro, voltando para o início e depois saltando para outro assunto completamente diferente. Exatamente como as conversas transcritas desses empreendedores! Pior, achando que estou sendo completamente claro, objetivo e compreendido!

Desde então tenho reparado muito na minha comunicação oral, para passar o máximo de clareza. Descobri que falar mais devagar e usar menos palavras ajuda. Gera menos distração e deixa a comunicação mais "concentrada". Enfim… acho que caiu mais uma ficha do quanto somos responsáveis por um dos grandes males do século XXI, a comunicação, ou falta dela.

Ainda está em dúvida? Então faça um teste interessante. Peça para alguém gravar uma reunião de equipe (sem que ninguém saiba, lógico), daquelas que acontecem nas segunda-feira as oito da matina, e depois peça para sua assistente transcrevê-la. Leia seu conteúdo e veja se realmente há condições das coisas saírem como você planejava.

Fonte: Blog do Empreendedor, no Portal Exame
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