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14/07/2010 - 08h37

O tradicional pode ser um bom negócio

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Por Marcus Vinicius Pilleggi

A inovação é um tema constante no mundo do empreendedorismo. Às vezes, porém, o segredo de um bom negócio está em fazer melhor o que outras pessoas já fazem. Em minha cidade natal, São Carlos, no interior de São Paulo, conheci um rapaz que era garçom de uma conhecida lanchonete local. Eu e meus amigos o vimos subir de cargo até tornar-se gerente do negócio.

Ele sempre dizia que "estava guardando dinheiro" e há alguns anos, depois de praticamente uma década desde que começara a trabalhar como garçom, comprou um ponto comercial e abriu seu próprio negócio. Tomou cuidado: planejou a reforma e o cardápio, contratou pessoal e só inaugurou quando teve a certeza que cada parafuso estava no lugar.


O lanche, em si, era bem parecido com os outros da cidade, seguindo o "padrão sãocarlense": grande e saboroso com um preço acessível. Geralmente é isso que você encontra por lá. Entretanto, os inúmeros clientes que atendeu bem em seus tempos de garçom o acompanharam no novo negócio. Os preços dessa nova lanchonete eram ligeiramente mais baratos e o atendimento, mais próximo e amigável, era por demais atrativo.


Com poucos meses de funcionamento, a casa vivia lotada todos os dias da semana, salvo segundas-feiras, dia em que o estabelecimento não abre. A propaganda era, basicamente, no boca a boca e o diferencial era mesmo o ambiente familiar e o tratamento próximo, que  acabavam atraindo cada vez mais pessoas.

É bem mais agradável ser servido com um sorriso no rosto em um ambiente que funciona, inteiramente, da hora que abre até a hora de fechar, do que por alguém que parece que acabou de dar uma cusparada no seu sanduíche, ter de praticamente quebrar um copo para ser atendido ou então ouvir o, no mínimo irascível, "a cozinha vai fechar".


Com cerca de dois anos de negócio, o antigo garçom abriu sua segunda unidade na principal avenida de São Carlos. Assim como a anterior, vive lotada todas as noites, fruto do contato direto com os clientes. Na unidade mais nova, o próprio dono é o caixa e está à frente do negócio diariamente.

Recentemente, estive visitando parentes e amigos na cidade e voltei para lá, onde fui recebido novamente com um sorriso e um aperto de mão. O local é simples e os preços, atualmente, rivalizam com os da concorrência; acontece que os consumidores também pagam por outros motivos.

O tipo de marketing adotado, o boca a boca e o apoio a alguns eventos locais, como teatros, festas grandes e eventos musicais, funcionou. Não é nada que outros concorrentes locais também não façam: eles só não fazem tão bem quanto esse garçom empreendedor.

Fonte: Papo de Empreendedor
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