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07/01/2009 - 16h12

Estratégia interna: olhando para além do óbvio

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Quando alguém fala sobre estratégia, muitas vezes está tratando de aspectos externos à empresa, da posição no mercado e da forma pela qual a organização se relaciona com elementos do ambiente externo para cumprir suas metas. Embora os livros sobre o assunto também se refiram com clareza a pontos fortes e a pontos fracos internos, freqüentemente se supõe que tais aspectos sejam secundários. Na verdade, não o são.

A base de uma estratégia pode repousar, por exemplo, na necessidade de obter uma produtividade tal que torne possível chegar a resultados de outra natureza quanto à forma de operar, ao tipo e à abrangência do efeito gerado. Por exemplo, se o arranjo convencional de recursos materiais e humanos permite alcançar a produção de X unidades, talvez outra forma de combinar esforços, tempo e recursos permita produzir 5X, com alcance e resultados finais mais significativos e mesmo diferentes. O que fazer quando se torna necessário fugir ao convencional?

Em casos desse tipo, temos duas questões imbricadas. Uma delas é a da eficiência ou produtividade, isto é, da relação entre insumos de um sistema e aquilo que ele produz; trata-se, por assim dizer, de um problema de engenharia. A outra está em buscar formas não convencionais de arranjar os elementos à disposição para produzir certo resultado: um problema de imaginação. O desafio reside em pensar em formas criativas de estruturar o esforço produtivo que levem a uma produtividade tal que à primeira vista pareceria inatingível.

Uma empresa pode se ver obrigada, por exemplo, a abandonar a produção em série de um item para passar a produzi-lo em células que operem simultaneamente. Outra pode pensar em contratar equipes externas para desenvolver certas atividades ao mesmo tempo em que ela desenvolve outras. Em outro caso, o desejável é poder articular e coordenar os esforços de forma a combiná-los, tendo flexibilidade para substituir fornecedores conforme a necessidade.

Embora tais formas alternativas possam eventualmente ser concebidas por um estalo criativo, convém saber que também se pode examinar de forma metódica o problema a resolver e estruturá-lo de uma maneira tal que possibilite chegar a soluções melhores do que as convencionais.

Examine, por exemplo, a abordagem presente na seguinte seqüência de passos:

1) estabelecer o objetivo;
2) descrever o processo para alcançar o objetivo, indicando as fases que o compõem, recursos disponíveis e o papel de cada recurso, condicionantes e aquilo que o conjunto deve produzir;
3) testar variantes em termos de entradas e resultados, para identificar os gargalos existentes;
4) examinar alternativas quanto aos gargalos, formas de alterar sua capacidade, papel ou maneiras de rearranjar o processo para que flua de forma mais equilibrada;
5) caso o objetivo tenha sido atingido, verificar se não pode ser ultrapassado; se o desempenho estiver aquém do desejado, rever o passo 2.

Abordar problemas desta forma requer disposição verdadeira de resolvê-los com flexibilidade e recusa sistemática a se acomodar com os resultados que se mostram alcançáveis à primeira vista.

Não se trata propriamente de algo novo. Com diferentes nomes, abordagens semelhantes a essa têm estado presentes na literatura sobre administração. Elas podem ser bem empregadas ou não, podem ser tratadas com a devida profundidade ou não e podem servir para propósitos explícitos ou nem tanto; têm, de qualquer forma, um ponto positivo em comum: a possibilidade de contribuir para melhorar a forma de trabalhar e o aproveitamento dos recursos disponíveis. A premência da demanda sobre as organizações tem forçado a buscar sistematicamente formas mais engenhosas de maximizar o output com o melhor arranjo possível, e mais criativo, dos recursos à disposição.

Da próxima vez que o resultado final de certo esforço lhe parecer pequeno demais em face da demanda existente, pense na possibilidade de rever o papel dos elementos envolvidos no processo e nas diferentes possibilidades quanto à maneira de combinar os recursos. Haverá pouco a perder com isso, e provavelmente muito a ganhar.

José Luis Neves - Consultor
Fonte: Site SEBRAE-SP

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