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Antes excessivamente técnico, hoje o executivo de finanças é visto como um profissional de várias facetas, com papéis de consultor a porta-voz.
O profissional de finanças sisudo, estritamente técnico e fechado na sala, em frente à planilha de excel, está mudando. Por causa da pressão de acionistas, clientes e outros parceiros por mais transparência, as companhias procuram quem é mais flexÃvel, tem habilidades com pessoas, é bom um relacionamento e não só em fazer contas na calculadora HP. “O durão da empresa, que nada hermitia, ficou mais macio”, diz Fernando Blanco, executivo experiente do setor financeiro, hoje presidente da seguradora francesa de crédito Coface do Brasil, em São Paulo.
Esse profissional, que sempre foi importante por conhecer de cor as contas da empresa e saber como deduzir custos, precisou mudar de estilo e interagir mais com outros departamentos. O movimento, em parte, começou em outras áreas da companhia. Com a necessidade de usar melhor seus recursos, as empresas querem que todos os seus executivos entendam a equação de lucro do negócio. “Todo gestor tem um orçamento na mão que precisa dominar. Daà a interação cada vez maior com o financeiro”, diz Marcelo Braga, da Search Consultoria, de recrutamento de executivos, de São Paulo. Nesse cenário, o diretor ou gerente da área virou uma espécie de consultor interno e teve de desenvolver sua capacidade de se comunicar bem e traduzir para os “leigos” os conceitos de finanças. “Ele é o primeiro a ter acesso a informações estratégicas do negócio. Por isso, é uma espécie de porta-voz do desempenho e das metas da empresa”, diz Marcelo.
Olhar crÃtico, iniovação e criatividade
Comunicação, portanto, ficou quase tão importante quanto conhecimento técnico. Um levantamento feito em 2006 pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), com 40 de seus 200 associados, já confirmava essa tendência entre jovens executivos em cargos de gerência e diretoria. Sobre as qualidades mais importantes na área, eles citaram olhar crÃtico, inovação e criatividade na frente de capacidade de planejamento e conhecimento da área. “Esses traços comportamentais estão valorizados no mercado”, diz Antonio Sérgio de Almeida, vice-presidente do Ibef. Essa valorização ocorre porque, ao ter um estilo mais maleável, o profissional consegue atuar como um parceiro dos outros departamentos da empresa. Foi o que aconteceu com a paulistana Alessandra Demadi, de 30 anos, gerente de contabilidade da Cheminova, multinacional de defensivos agrÃcolas de São Paulo. Com apenas seis meses de casa, ela estabeleceu uma dobradinha com seus colegas dos departamentos comercial e de compras. Alessandra está sempre à disposição quando as duas áreas precisam elaborar orçamentos ou discutir a escolha de um fornecedor. “Nosso papel é conscientizar, mas já existe uma compreensão geral sobre controle de custos e orçamento”, diz ela.
Cargos de liderança
A compreensão das finanças da empresa — conseqüentemente de seu funcionamento e gestão — faz dos executivos financeiros candidatos freqüentes a ocupar a liderança nas companhias. Na hora de tomar decisões, é para o homem do dinheiro que o presidente pede opiniões e essa proximidade abre caminhos. Na rede de hotéis Atlantica, em São Paulo, 7 dos 15 gerentes-gerais vieram da área financeira. O paulista Reginaldo Cunha, de 34 anos, comanda desde o inÃcio de 2007 o hotel Park Suites ITC, depois de passar três anos como controller da unidade. Com um jeitão mais tÃmido, Reginaldo começou a dar aulas de finanças no curso de hotelaria do Senac, em 2001. Não demorou muito para começar a conduzir reuniões com pares, chefe e investidores. “Desenvolvi minha capacidade de expressão e, principalmente, um lado didático. Foi assim que me destaquei”, diz Reginaldo. A subida é explicada também pelo acesso à s informações de que sempre dispôs. “O executivo financeiro conhece o fluxo de caixa e o resultado da empresa. Sabe porque ela está dando lucro ou prejuÃzo”, diz Reginaldo Cunha.
Gabriel Penna
Fonte: Site Revista Você S/A
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