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12/09/2008 - 08h04

Endividamento reflete a pobreza da educação financeira no Brasil

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Dados do Banco Central referentes a julho de 2008 mostram que o valor de crédito concedido a pessoas físicas por meio do cheque especial aumentou de R$ 18,6 bilhões em janeiro para R$ 20,7 bilhões em julho de 2008. A modalidade, que cobra uma das taxas de juros mais caras do mercado, curiosamente foi a que concedeu o maior volume de crédito para pessoa física em julho.

Para Fernando Blanco, CEO da Coface do Brasil - Seguradora de Crédito Interno, esse tipo de endividamento é um dos muitos indícios de que a população brasileira carece - e muito - de educação financeira.

Educação pobre
A opinião do executivo é, além de clara, rigorosa: "infelizmente, a educação financeira no Brasil segue o mesmo padrão pobre da educação nas escolas. E quando se considera um dos segmentos desta educação, a creditícia, a catástrofe é ainda maior".

De acordo com Blanco, o brasileiro até é capaz de entender que não pode gastar mais do que ganha, e que deve administrar seu salário, poupar uma parte de seus rendimentos, dentre outros conceitos. "O problema é que, quando se fala em crédito e financiamentos, fica muito mais complicado, porque entram tarifas, cálculos de juros compostos, e nem todo mundo consegue lidar com essas informações".

Muitas das pessoas que estão endividadas, considerando não apenas o cheque especial, estavam até pouco tempo à margem do sistema, explica o CEO da Coface. "Essas pessoas, dentre as quais estão as empregadas domésticas, taxistas, autônomos, entram no mercado desprotegidas, sem informação, principalmente se comparadas a um executivo, por exemplo", diz Blanco.

Em excesso, faz mal
"As pessoas precisam aprender que crédito na medida certa é bom, mas assim como os doces, faz mal se tomado em excesso". Blanco explica que os números do cheque especial têm mantido a mesma proporção do ano passado, mas estão acima da média do conjunto total de crédito para pessoa física.

Esse fato mostra uma "deterioração do crédito das famílias", diz o CEO. "O cidadão estava com um buraco, vindo, por exemplo, do cartão de crédito, e estoura sua conta - caindo no cheque especial - para cobrir suas dívidas".

No intervalo da novela
Para Blanco, não haveria outra maneira de reverter este quadro, a não ser a educação financeira maciça e insistente da população. Ele lembra que algumas ações já tem sido feitas pelo governo, como a Estratégia Nacional de Educação Financeira, desenvolvida pelo Coremec (Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização) e coordenada pela CVM (Comissão de Valore Mobiliários).

A estratégia, que já tem página na internet no site Vida e Dinheio pretende aproximar a população de tópicos relacionados ao planejamento financeiro. "É um bom projeto", diz Blanco, "mas é preciso ter cuidado para que não fique burocrático demais. Para mim, deveria ter propaganda até no horário nobre da TV, assim como fazem com o cigarro: `crédito não mata, mas pode aleijar`", conclui.

Fonte: Site InfoMoney.

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